Vacina da AstraZeneca contra a COVID-19 é segura para pessoas com Esclerose Múltipla

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A vacina contra a COVID-19 da AstraZeneca parece ser razoavelmente segura para pessoas com esclerose múltipla (EM), de acordo com um pequeno estudo sobre seu uso no Reino Unido

 

Os efeitos colaterais da vacina estão de acordo com os experimentados pela população em geral, disseram seus pesquisadores, como sintomas semelhantes aos da gripe e dor no braço.

O estudo, “Experiência com a vacinação COVID-19 da AstraZeneca em pessoas com esclerose múltipla”, foi publicado na revista Multiple Sclerosis and Related Disorders.

Apesar de serem incentivadas a se vacinar contra a COVID-19, algumas pessoas com esclerose múltipla se preocupam com os efeitos colaterais – especialmente aquelas que usam terapias modificadoras da doença (TMD).

Isso é particularmente verdadeiro para a vacina AstraZeneca, cujo lançamento enfrentou alguns obstáculos, incluindo o relato de coágulos sanguíneos raros e incomuns. A vacina, feita em parceria com a Oxford University, foi aprovada no Brasil pela ANVISA.

Para obter uma compreensão da experiência das pessoas com esclerose múltipla com as vacinas contra a COVID-19, os pesquisadores enviaram um breve questionário a 570 usuários do serviço de esclerose múltipla no Barts Health NHS Trust em Londres, onde a maioria recebeu a vacina AstraZeneca. O questionário, enviado entre 25 de janeiro e 24 de março de 2021, focou em sintomas nos dias seguintes à injeção da vacina.

Um total de 33 pessoas, 19 mulheres e 14 homens com idade média de 50 anos (variando entre 25 a 76 anos), preencheram e devolveram o questionário por e-mail. Dezenove tinham EM recorrente-remitente, cinco tinham EM progressiva primária e nove tinham EM progressiva secundária. A duração média da doença foi de 15 anos, variando de dois a 38 anos.

Quinze pessoas estavam em tratamento com ocrelizumab e haviam recebido a última infusão de três a 15 meses antes da injeção da vacina. Oito pessoas foram tratadas com cladribine três a 23 meses antes da vacinação. Um paciente recebeu natalizumabe uma semana antes da vacinação, um paciente recebeu ofatumumabe duas semanas antes da vacinação e outro paciente usou rituximabe (comercializado como Rituxan nos EUA e MabThera na Europa) seis meses antes da vacinação. Duas outras pessoas estavam em fumarato de dimetila, e as cinco restantes não estavam usando nenhuma terapia modificadora da doença.

Dessas 33 pessoas, 29 receberam a vacina AstraZeneca e quatro receberam a vacina Pfizer – BioNTech.

Quase todas as pessoas (94%) relataram pelo menos um dos sintomas listados no questionário: dor no braço (70%), sintomas semelhantes aos da gripe (64%) e febre (21%).

Outros sintomas relatados em um campo de texto livre foram fadiga (27%), dor de cabeça (21%), febre/calafrios (12%), dor nas articulações/dores musculares (9%), náusea (9%) e inchaço no local da injeção (6%).

Piora dos sintomas neurológicos, sono perturbado, dormência facial, infecção do trato urinário, cheiro estranho/falta de paladar e aftas orais foram relatados por um paciente.

Para a maioria, mais de dois terços dessas pessoas, os sintomas não duraram mais do que 48 horas (dois dias). E, em geral, os sintomas desaparecem em sete dias. As duas exceções foram um braço dolorido (com duração de 10 dias) e um inchaço no local da injeção (com duração de 12 dias).

Apesar da controvérsia em torno da vacina AstraZeneca, “nossos resultados, embora preliminares, parecem tranquilizadores de que os eventos adversos foram consistentes com os experimentados na população em geral“, escreveram os pesquisadores.

“A vacinação é uma intervenção relativamente segura que deve ser incentivada”, concluiu a equipe, referindo que “continuarão a recolher questionários, abrangendo também a segunda dose de vacinação. Um número maior de [pessoas com] EM fornecerá granularidade sobre as variações potenciais na resposta à vacina com base no tipo de TMD e … respostas à vacinação.”

 

Fonte: Multiple Sclerosis and Related Disorders

Tradução e adaptação: Redação AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose

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