AME - Amigos Múltiplos pela Esclerose

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Esclerose Múltipla

A esclerose múltipla (EM) é uma doença que compromete pessoas entre 20 e 50 anos de idade, no auge de sua idade produtiva, provocando lesões no sistema nervoso central (cérebro, nervos ópticos e medula espinal), com sintomas que podem ser transitórios ou definitivos. A doença é provocada por uma reação autoimune direcionada a mielina, uma capa de gordura que cobre todas as nossas células nervosas. Uma doença autoimune é aquela em que o sistema de defesa de uma pessoa resolve atacar a ela mesma, ao invés de um agente externo, como um vírus ou bactéria. No Lupus esta agressão pode ocorrer contra a pele, o pulmão, articulações e rins; na artrite reumatóide, contra as articulações; na psoríase, contra a pele, para citar alguns exemplos.

Com a perda da mielina os impulsos nervosos ficam mais lentos e a pessoa pode sentir dificuldade em realizar determinadas ações ou em seus sentidos, como perda de força em um ou mais membros, perda de sensibilidade ou formigamentos, falta de coordenação, dificuldade para caminhar, perda ou dificuldade visual e até dificuldade em controlar a urina. Os sintomas não são súbitos, isto é, de repente ou de uma hora para outra, e costumam se intensificar em dias a semanas. Nas primeiras vezes que estes sintomas acontecem o organismo consegue interromper este dano, reduzindo a inflamação e produzindo uma nova capa de mielina, e por isso o individuo pode ter resolução completa destes sintomas em semanas a meses, muitas vezes atrasando o diagnóstico. Com o passar dos anos, se não tratada, aí sim a doença pode deixar sequelas e cicatrizes permanentes. Esta é chamada de EM remitente recorrente, mas alguns pacientes não apresentam estas crises e podem ter sintomas que não resolvem espontaneamente, chamadas de EM primaria progressiva.

A EM compromete cerca de 3 milhões de pessoas no mundo, e sua prevalência pode mudar de acordo com a região. Por exemplo, é muito mais freqüente no norte dos Estados Unidos ou Europa, chegando a estar presente em 80 para 100.000 pessoas, mas no Brasil este número cai para 20 a 30 para 100.000. Existem fatores genéticos e do meio ambiente que causas esta diferença em populações distintas, mas também existe muito que ainda não se sabe. Pesquisadores e cientistas conseguiram identificar varias alterações quem acontecem no processo autoimune dentro do corpo da pessoa com EM, e em cima disso muitos medicamentos forma desenvolvidos para frear esta agressão. Mas exatamente porque seu sistema imunológico resolve reconhecer a mielina como inimiga e atacá-la é ainda desconhecido.

E por que o termo esclerose? Os primeiros médicos a contarem a história da doença no ,século 19, identificaram cicatrizes no sistema nervoso central de seus pacientes quando eram examinados após sua morte. Esclerose vem do grego “sklérosis”, que significa “endurecimento provocado por inflamação”, ou seja, “cicatriz”. Estas múltiplas cicatrizes presentes na medula espinal e no cérebro originou o nome esclerose em placas, mais usado na França, e esclerose múltipla, mais usada hoje em dia. O diagnóstico hoje é realizado com exames de sangue , liquor e ressonância magnética, e as manchas identificadas na ressonância magnética são exatamente as cicatrizes que os médicos do século 19 viam no sistema nervoso de seus pacientes. Não tem nada a ver com esclerosado, um termo leigo usado para designar pessoas com problemas mentais ou demência.

Infográfico Esclerose Múltipla

Fatos rápidos sobre a Esclerose Múltipla (EM):

  • A esclerose múltipla é uma doença progressiva do sistema nervoso central
  • É mais comum nas mulheres, uma proporção de três mulheres para dois homens vivem com EM;
  • É a doença mais comum do sistema nervoso central em adultos jovens;
  • Não é diretamente hereditária, embora a susceptibilidade genética desempenhe um papel no seu desenvolvimento;
  • Não é uma doença contagiosa;
  • O diagnóstico acontece, geralmente, entre 20 e 40 anos de idade;
  • Há uma vasta gama de sintomas, e a fadiga é um dos mais comuns;
  • A incidência de EM aumenta em países mais afastados do equador;
  • Ainda não existem medicamentos que possam curar a EM, mas existem tratamentos já disponíveis que podem modificar o curso da doença e até mesmo interromper o aparecimento de novos sintomas e mantendo a pessoa com EM com excelente qualidade de vida;
  • Muitos dos sintomas da esclerose múltipla podem ser controlados e gerenciados com sucesso.
  • Um bom estilo de vida, com boa alimentação, controle de sono e estresse e atividade física regular são os primeiros passos para reduzir a inflamação no seu organismo

 

Prof. Dr. Denis Bernardi Bichuetti
Neurologista