Qual especialista devemos procurar para concluir e fechar o diagnóstico de EM?

O Neurologista é o profissional médico capacitado para fazer o diagnóstico e o tratamento da EM.

Quais exames que ajudam a fechar o diagnóstico?

A EM é uma patologia cujos sintomas podem confundir-se com os de outras doenças. Infelizmente, não existe ainda um exame específico que possa identificar a doença de forma direta.

Assim, seu diagnóstico baseia-se na análise em conjunto dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente, somado a análise criteriosa de exames laboratoriais e de imagem que auxiliarão o neurologista a afastar qualquer outra doença que possa justificar o quadro clínico em curso, para somente assim poder concluir o diagnóstico.

A EM é uma doença cujo diagnóstico é feito por exclusão. Assim, consegue-se uma melhor probabilidade de um diagnóstico correto.

Existem 03 tipos de exames que servem como suporte na realização do diagnóstico da EM:

Ressonância Magnética (RM):

A RM é uma técnica de imagem produzida através da análise da combinação entre um campo magnético, ondas de rádio e gradientes de campo, que permitem a visualização anatômica das estruturas do encéfalo e da medula espinhal. A RM é considerada o exame de suporte mais sensível para sugerir o diagnóstico da EM, sendo recomendada a análise de todo o eixo neurológico (encéfalo e medula espinhal).

Este exame permite avaliar as características das lesões que são sugestivas da EM (desmielinização), assim como permite a análise da disseminação destas lesões no tempo e espaço, o que possibilita o diagnóstico de forma precoce. A RM permite permite ao médico estabelecer outros diagnósticos diferenciais, ou seja, quando o caso em estudo pode ter outras doenças que não a esclerose múltipla.

Estudo do liquido cefalorraquidiano (LCR) ou liquor:

A análise do LCR é um exame de suporte que permite obter informações sobre o caráter inflamatório e imunológico do paciente com suspeita de EM. Neste exame realiza-se também o diagnóstico diferencial entre outras enfermidades que podem produzir imagens sugestivas de desmielinização na RM, mas que podem não ser um caso de EM. O exame é realizado pela coleta do LCR através de uma punção lombar (mais comumente), procedendo-se então a pesquisa da presença ou não das bandas oligoclonais (BO) e o cálculo do índice de imunoglobulinas (Índice de IgG) quando necessário. A positividade destes exames, principalmente a presença das BO, aumenta a probabilidade do diagnóstico da EM.

Para que servem os Potenciais Evocados no diagnóstico?

Os potenciais evocados não estão nos critérios diagnósticos básicos, mas podem ser usados em diagnósticos diferenciais específicos.

Potenciais evocados (PE):

Os potenciais evocados são um conjunto de testes neurofisiológicos que permitem a avaliação funcional do sistema nervoso central e periférico. Estes exames servem como um auxiliar no diagnóstico quando o exame de RM demonstra alterações não especificas ou mínimas, suscitando dúvidas no diagnóstico da EM. Para o diagnóstico da EM podemos fazer uso de 03 tipos de PE:

Potencial evocado visual (PEV): Este potencial evocado é aquele que mais auxilia no diagnóstico da EM. Trata-se de um exame que permite avaliar lesões nos nervos ópticos e nas vias ópticas, demonstrando a presença de características desmielinizantes na análise do potencial elétrico.

Potenciais evocados somatossensitivos (PESS): Este exame possibilita a análise dos impulsos elétricos pelas vias somatossensitivas dos membros superiores e inferiores até o cérebro, permitindo assim avaliar a integridade destas vias na medula espinhal e no encéfalo, avaliando se existem características sugestivas de processo desmielinizante. Este exame não é muito utilizado nos casos suspeitos de EM.

Potencial evocado auditivo do tronco encefálico (PEATE ou BERA): Este exame possibilita avaliar a integridade das vias auditivas e do tronco encefálico. Este exame não é muito utilizado nos casos suspeitos de EM.

Existe algum exame para diagnosticar EM precocemente?

Não existe um único exame para realizar o diagnóstico logo no início. O exame inicial será sempre a ressonância magnética, e, a partir dos achados deste exame e do quadro clínico apresentado pelo paciente, serão realizados o exame de análise do LCR, para a pesquisa da presença de bandas oligoclonais, para o cálculo do índice de imunoglobulinas soro/líquor e diagnóstico diferencial de outras patologias.

Caso a equipe médica e neurologista não estejam confiantes no diagnóstico da EM, poderão ser realizados então os exames de potenciais evocados (PE), além de exames laboratoriais que ajudam na exclusão de outras patologias.