RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE NA ESCLEROSE MÚLTIPLA

Olá meus queridos, não sei se acompanharam no site aqui da AME esse texto  http://www.amigosmultiplos.org.br/noticia/331/comunicacao-aberta-entre-medico-e-paciente-melhora-os-resultados-da-em que achei muito bom. 
Quem me conhece, sabe que acredito que o tratamento de uma doença crônica, onde temos vários sintomas e precisamos passar pelo médico a maior parte da nossa existência, ainda mais se ela for grave, sem cura, progressiva e etc, o profissional que vai te guiar, faz 70 % o papel do tratamento. Ou seja, todas as vezes que me procuram com o susto do diagnóstico, procuro acalmar a pessoa mas logo já mostro a importância do médico nesse processo.
Além de ser alguém que estudou a doença a fundo, que tenha experiência com os pacientes e seus tratamentos, o principal é que seja um ser humano sensível, que além de profissional seja uma pessoa em quem você vai se apoiar, se entregar de olhos fechados. Sim, você precisa ter muita confiança no seu médico. Mas essa confiança não será só  porque ele tem o Curriculum excelente, as pesquisas em dia, mas será porque ele te ouvi na hora que você mais precisa.
Quando li esse artigo no site da AME fiquei me lembrando de todas as consultas com o meu querido médico, carinhosamente o apelidei de doutorzinho. É impressionante como ele começa sua consulta desde a sala de espera.
Claro que não tinha conhecimento  dessas coisas no início da doença, mas convivendo anos com nossa companheira, lendo, observando e sentindo ela a fundo, notei cada momento da ida ao doutorzinho que já estou sendo consultada mesmo antes de adentrar o seu consultório.
Primeiro, ele faz questão de ir até a porta e observar como me levanto e vou até ele, nos cumprimenta e já pergunta para o meu marido como ele está? Como vai o trabalho dele? Se ele anda cozinhando? Como ele já conhece um pouco das preferências do Baby, ele puxa papo. 
No início, eu estranhava, pensava que eu é que tinha problemas, como assim ele querer saber do Baby?
Doce inocência a minha, depois de algum tempo, notei que o que ele queria saber é como o Baby estava lidando em ser parceiro de alguém com EM. Se ele andava estressado, desanimado, cansado mesmo, porque não é muito fácil de uma hora pra outra perceber que está convivendo com alguém que carrega um peso de uma doença crônica sem cura e blá blá, e que de um jeito ou de outro pode precisar exclusivamente de você.
Doutorzinho sempre me disse " eu não faço a menor idéia de como é o que você está sentindo, mas compreendo tudo que você sente."
Assim consigo contar a ele tudo que sinto de sintomas, de inseguranças, medos, aflições, desânimos, sensações…. Sobre tudo, mas tudo mesmo.
Depois que ele avalia o Baby em geral, me diz: " me fala de você, quero saber tudo!!"
Abro minha listinha e começo, ele vai explicando cada ponto que listei e segue" posso te examinar"? 
Inicia o exame clínico na hora que me levanto da cadeira de seu consultório e vou até a sala onde existe uma cadeira e uma maca. Ele me manda tirar os sapatos e observa, quando fui com uma bota com mais dificuldade para amarrar, ele até comentou " nossa essa dá trabalho né?" 
Através do exame clínico ele se anima ou não e me chama pra ressonância magnética, aí é a hora de me explicar o que o tratamento está fazendo, na maioria das vezes agindo a nosso favor, outras nem tanto. Nosso, porque ele sempre faz questão de dizer tudo assim" nós já tomamos tal remédio? Nós já fizemos tal exame?" Sei que pode parecer bobagem, mas o nós o coloca ao meu lado sempre, me deixando segura, como se ele tivesse pegando na minha mão e não acima de mim, como se fosse um Deus, o que sabe a resposta de tudo.
A relação médico- paciente é uma relação de "casamento", doutorzinho sugere e eu aceito. Eu digo " o senhor mandou." E ele me diz com tom de correção :" eu sugeri…"
Tudo de pleno acordo desde o início, sigo todas as orientações dele. E ele sabe da minha vida até os meus segredos mais escondidos…rs 
O que estou querendo mostrar para vocês, que essa relação médico- paciente é extremamente importante para o tratamento da EM funcionar, o nosso emocional deve estar tranquilo quanto enfrentar a EM e um médico sensível, humano nos ajuda com isso. 
 No meu caso, me sinto abençoada, não só por ter o doutorzinho mas também a Dra. Roberta aqui em São Carlos e o Dr Rodrigo Thomaz, a partir do Gilenya, que são também seres humanos muito sensíveis antes de serem médicos.
Por isso, a cada e-mail, mensagem que recebo procuro explicar o quão importante é esta relação, faça uma busca aqui na AME pra encontrar o nome do médico mais acessível a você e depois procure alguém que seja paciente.
Se não estiver muito contente, não fique com receio de mudar de médico, até encontrar aquele que você se sinta bem, confie e te apoie.
Desejo a todos uma boa sorte nessa busca.
 
Vou deixando vocês meus queridos por aqui.
Tenham uma semana maravilhosa!!!
Mil beijinhos e até o próximo post…