Quando tive o diagnóstico

Texto enviado por Fernanda Maria Marussi – 24 anos – Guarulhos (SP)
 

Olá, Amigos Múltiplos!

Me chamo Fernanda e minha história como esclerosada começou ano passado, mais precisamente no dia 09 de fevereiro de 2015, uma semana antes de reiniciarem as tão esperadas aulas na faculdade.
Me lembro que na semana do surto eu estava muito ansiosa por estar chegando na etapa final de quase 5 anos estudando Arquitetura e Urbanismo e começar mais um ano letivo com um grau de dificuldade um pouco maior do que eu estava acostumada me deixou muito pilhada e fora isso eu tinha passado por uma semana conturbada com a família também. 

Naquele dia 09 decidi escrever algo na minha agenda e notei que minha letra estava saindo muito feia e aí parei pra prestar atenção na minha mão: ela estava fraca. Mas já que durante as férias eu não parei para escrever nada, associei a uma possível falta de prática. No dia seguinte, um dia de muito calor, decidi então fazer uma faxina na casa, depois de muito esforço percebi um cansaço muito diferente e uma fraqueza na perna muito estranha, cheguei até a achar que fosse um mal estar causado pelo tempo quente e assim não "dei bola" para os meu primeiros sintomas.

E os dias daquela semana foram passando e com eles os sintomas foram ficando mais fortes e eu, teimosa que sou, achei que não fosse nada e que iria passar. Este é um erro muito comum cometido por muitas pessoas, não só as que passam por um surto de EM, achar que "vai passar", que não é nada. Galera, se o corpo fica estranho, muito diferente do que costuma ser, é sinal de que ele está reclamando de alguma coisa que não anda bem. É importante procurar ajuda.

Foi só no final de semana, depois de dias com uma fadiga que me parecia mortal e sem os movimentos da perna e da mão direita foi que decidi ir ao Pronto Socorro. Chegando lá os sintomas me enganaram e ficaram mais leves e eu comecei a achar que eu realmente não tinha nada, que era psicológico, mas de qualquer forma permaneci na espera do atendimento. O clínico geral fez uma avaliação, passei por uma tomografia, fiz coleta de sangue, mas nada apareceu em meus exames. O médico tentou me internar para fazer uma ressonância, mas a ilusória sensação de ter melhorado me fez acreditar que não era preciso e fui para casa.

Mas na terça feira eu piorei novamente e tive que voltar no mesmo hospital, dessa vez um outro médico me atendeu e disse que o que eu tinha era L.E.R (Lesões por Esforços Repetitivos), bastava fazer uns exercícios que eu melhoraria, mas me aconselhou a procurar um neurologista. Na quarta, acordei muito pior, muita fadiga, já havia perdido a sensibilidade, os movimentos e o corpo todo formigava loucamente. Nunca havia sentido algo tão surreal, tão doloroso pra alma. Não conseguia nem levantar da cama sozinha, foi um susto, minha mãe e irmãs acharam que eu estava passando por um quadro de AVC, já eu não conseguia mais pensar em nada, estava cansada demais para isso.
Fui a um Pronto Socorro diferente e lá dei entrada de emergência. Tive que ficar na cadeira de rodas, já não tinha mais total controle sobre meus movimentos. Uma equipe de neurologistas residentes me atendeu e começou a estudar meu caso. Fiz uma bateria de exames e testes clínicos e a médica, então, me deu a suspeita do diagnóstico… Esclerose Múltipla. Juro que não fazia ideia do que ela estava falando, eu não tinha nenhum conhecimento sobre a doença, mas também não a questionei a respeito. Fiz a minha primeira sessão de pulsoterapia endovenosa (outra coisa que eu nem sabia que existia) e segui nesse ritmo por mais 2 dias. 

Fiz a ressonância, o exame do Liquor e voltei ao neurologista. Confirmado! Eu era portadora daquela doença que para mim era uma estranha. Eu tinha Esclerose Múltipla.

Ainda com poucos movimentos e pouca sensibilidade, tive que lidar com a aceitação do meu diagnóstico, tive que lidar com uma nova realidade. Foram dias muito confusos, perdi quase dois meses de aula, dependia da minha mãe para executar algumas tarefas diárias e nesse meio tempo fui chamada para fazer um estágio que eu esperava há um bom tempo… Tudo isso me fez encontrar forças, que eu nem sabia que tinha, e decidi lutar.

Voltei para a faculdade, comecei a estagiar e aprendi a escrever com a mão esquerda (o surto atingiu apenas o lado direito do meu corpo). Passei por um momento de redescoberta, aceitei minha situação e fui percebendo que melhorava com o passar dos dias. Estava indo bem, conciliando as minhas atividades diárias e o convívio com a família, amigos e namorado e aí um novo surto. Eu mal tinha me recuperado de um, logo veio outro, mais fraco e em um momento de maior consciência, já fazia acompanhamento com a neurologista especialista em doenças desmielinizantes e só estava esperando eliminar do organismo o corticóide adquirido nas minhas primeiras pulsoterapias para começar o tratamento com o Tecfidera, medicamento de uso oral e muito eficaz no tratamento da EM. 

O novo surto me obrigou a passar por mais pulsoterapia, a frequentar uma fisioterapia, a perder mais dias de aula, dias de serviço, dias de passeio, aguardar mais um pouco pra iniciar o Tecfidera, mas me fez ver, mais uma vez, o quanto sou amada pela minha família, pelo meu namorado e pelos amigos. Também me fez enxergar o quanto posso ir além, o quanto posso dar o meu melhor para mim mesma.

Com o tempo recuperei 100% os meus movimentos e voltei para a minha rotina de trabalho, faculdade, família, namoro, iniciei acompanhamentos com outras especialidades médicas e hoje me sinto uma nova pessoa. 

Da esclerose tirei grandes lições, crescimento e muita evolução. Ela me ajudou a me entender mais e ter mais sensibilidade com a vida e acima de tudo a ter mais respeito e cuidado com a minha saúde.
E essa sou eu! =D

Beeeijos