O Covid e um lembrete importante sobre o apetite

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Gostoso voltar aqui para esse lugar depois de tantos anos do outro lado, trabalhando no operacional do time da AME e CDD. Feliz em ter essa oportunidade ainda <3

Me bateu uma vontade enorme de contar como tem sido os últimos dias, de escrever em um espaço que foi colo pra mim tantas vezes.

Oi, de volta, gente!

Faz quase 20 dias que o Covid entrou dentro da minha casa e esses dias resolvi escrever um pouco sobre minha fome.

Fazia 16 anos que eu não sentia o frio na barriga de um diagnóstico. Dezesseis anos que esse medo não batia, que o coração não acelerava, a mão suava, as pernas ficavam moles só de imaginar em ter que me pegar no colo de novo e me arrastar do chão. Não que a vida, esses últimos anos, tenha sido só flores do campo, mas eu definitivamente não desejo voltar pra cima de uma cama nunquinha mais na minha vida, como estive em 2005.

Tem sido importante demais sentir meu corpo se desfazendo da forma que eu estava acostumada a conhecer ele, sem o Covid. Fazia tempo que eu não tinha conversas tão profundas com minhas pernas, sentia o ar da respiração preenchendo todo meu intestino. Fazia tempo que não fechava os olhos para minha coluna e costelas se ajustarem, vértebra por vértebra, pros pulmões encontrarem espaço em mais uma expiração. Inspirar nunca foi tão precioso. Eu reencontrei uma Ayurveda que deixei de lado há 6 anos, quando decidi manter só rotinas diárias. Retomei meus estudos, tenho feito novos experimentos e redescobri a mágica dos alimentos no pulsar de um processo inflamatório.

Tenho feito da Yoga meu oxigênio e a condução para reciclar toda e qualquer energia que possa ser renovada.

Tenho tido o privilégio de me conectar com profissionais incríveis que me apoiaram e repartir meu sofrimento com pessoas que amo profundamente. Profundamente.

O fato é que o “Covidão” me lembrou do tamanho da minha fome e foi por isso que resolvi aparecer por aqui.

Para falar sobre o quanto manter o nosso apetite vivo, pode ser uma revolução profunda, mesmo sem sentir nenhum sabor ou qualquer cheiro.

Como uma boa taurina raiz, eu costumo sentir fome. Uma fome por vezes desconexa, confesso, mas uma fome que tem me salvado.

Uma fome que me ensina sobre minhas emoções, meus medos, minhas resistências, que me mostra o quanto eu ainda tenho tentado me agarrar em coisas que não podem ser seguras e, acima de tudo, que me ensina sobre a minha própria potência.

Uma coisa é certa, pelo menos por aqui: é no vazio que eu me movimento. Quando o chão desmorona mesmo. É com fome que meu corpo reage, acorda, se mantém alerta, se defende.

É a fome que tem gerado meu desejo de seguir. É o desejo que tem me feito ir mais longe.

Sem fome, sem desejo, sem potência.

Quer se sentir viva? Conheça sua fome. Mantenha sua fome viva. Coma apenas o suficiente para se nutrir, principalmente quando seu corpo parecer estar escapando de você. Pratique o não conhecimento e procure aprender sobre o que te nutre. Não acredite em tudo o que te falam, experimente você mesma.

Se somos capazes de relaxar na fome, relaxamos nos nossos problemas e criamos mais potência para agir.

Não se satisfaça com qualquer coisa, mantenha seu apetite forte.

Um abraço bem apertado e sorrindo por ainda estar aqui <3

Se cuidem.

Paula Prado Kfouri – @paulapkfouri

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