Percepções sobre uma medicação podem predizer adesão e persistência ao tratamento da EM

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Tomar os medicamentos conforme indicado e permanecer com a mesma TMD durante um período podem ser influenciados pelas crenças das pessoas sobre o tratamento

 

A percepção sobre um medicamento pode predizer a adesão e persistência ao tratamento – ou seja, a aderência a uma mesma terapia – em pessoas com Esclerose Múltipla (EM), descobriu um estudo observacional prospectivo.

As descobertas foram resultado de um estudo clínico (NCT02488343) que avaliou o perfil de adesão à terapia em pessoas de 18 a 70 anos com EM recorrente-remitente (EMRR).

O estudo, “Crenças sobre a medicação como preditores de adesão ao medicamento em um estudo prospectivo de conjunto entre pessoas com esclerose múltipla”, foi publicado na revista BMC Neurology.

A adesão – seguir um regime de tratamento e tomar os medicamentos conforme programado – às terapias modificadoras da doença, chamadas TMDs, varia entre as pessoas com esclerose múltipla e costuma ser inferior a 80%. Porém, além das características demográficas e clínicas, não há muitas informações sobre os fatores que predizem a adesão ao tratamento pelas pessoas.

Para preencher essa lacuna de conhecimento, pesquisadores em Israel avaliaram a adesão e persistência às TMDs e examinaram sua associação com diversos preditores de doenças. A persistência foi definida como permanecer com a mesma TMD durante o estudo, enquanto a adesão foi categorizada como o grau em que as pessoas tomaram suas doses de TMD conforme prescrito.

Um total de 186 pessoas com EMRR com idade média de 40,6 anos foram envolvidas no estudo. Todas foram tratadas com TMD no Carmel Medical Center, em Israel, entre fevereiro de 2016 e fevereiro de 2019.

As pessoas acompanhadas tiveram EM por uma duração média de 7,5 anos e estavam em TMD por uma duração média de 27,6 meses, ou pouco mais de dois anos. Eram, em sua maioria, casadas ​(60,2%) e mulheres (72%), com alto nível de escolaridade e nível econômico. Condições de saúde diferentes da EM foram relatadas por 20,4% das pessoas e sua deficiência física média era relativamente baixa a moderada (uma média de 2,62 na EDSS – Escala Expandida de Status de Incapacidade de Kurtzke).

As avaliações presenciais foram realizadas em três momentos: no início do estudo e após seis meses e 12 meses (um ano).

Nessas visitas, as pessoas foram solicitadas a preencher uma série de questionários a respeito de suas crenças sobre medicamentos, percepção de sua doença, percepção de saúde, hábitos de medicação e estado emocional. A deficiência física também foi avaliada por um neurologista.

Os pesquisadores usaram várias medidas, incluindo resultados relatados pelo paciente – especificamente o Multiple Sclerosis Treatment Adherence Questionnaire e a Probabilistic Medication Adherence Scale – e informações de medicamentos, para avaliar a adesão e persistência ao tratamento.

Os resultados da pesquisa mostraram que 69,9% das pessoas aderiram às TMD após seis meses e 71% após um ano. A adesão variou entre 66,3 e 73,8%.

A persistência foi menor, de 64,5%, o que significa que mais de um terço dos participantes trocou de medicação durante os 12 meses de acompanhamento. Os motivos citados para a descontinuação incluíram piora da doença (15 pessoas), planejamento de gravidez (14 pessoas), resultados laboratoriais anormais (sete pessoas) e não tolerabilidade (30 pessoas).

Uma comparação entre pessoas aderentes e não aderentes descobriu que a adesão em seis meses foi mais comum em pessoas com um nível socioeconômico mais elevado. No entanto, essa associação não foi observada em 12 meses.

Notavelmente, uma associação observada aos seis e 12 meses foram as crenças das pessoas sobre a utilidade e segurança das TMD. Indivíduos não aderentes acreditavam mais frequentemente que a terapia prescrita era um tratamento excessivo e poderia ser prejudicial do que as pessoas aderentes.

Essa associação de crenças sobre a medicação com a adesão também foi encontrada ao levar em consideração as diferenças de idade, sexo e nível socioeconômico.

Outras percepções, incluindo autoavaliação de saúde, percepção da doença, hábitos e estados emocionais (depressão e ansiedade) não diferiram significativamente entre os grupos de adesão, mostraram os resultados.

A persistência do tratamento, assim como a adesão, também foi prevista pelas percepções das pessoas. Em particular, uma análise estatística ajustada para idade e sexo mostrou que as preocupações com medicamentos, ansiedade, idade mais jovem e sexo masculino foram significativamente preditivos da persistência do tratamento.

“O presente trabalho teve sucesso em caracterizar este grupo e sugere que as crenças das pessoas sobre a medicação no início podem prever sua adesão e persistência”, escreveram os pesquisadores.

O estudo teve várias limitações, observaram os pesquisadores, incluindo seu pequeno tamanho de amostra, sendo conduzido em um único centro, não contabilizando o histórico de medicamentos das pessoas e relatando um acompanhamento de apenas um ano.

No entanto, esses achados demonstraram que “adesão e persistência podem ser previstas pelas crenças de medicamentos de pacientes com esclerose múltipla”, concluíram eles.

“Como as crenças sobre medicamentos são modificáveis, elas devem ser avaliadas periodicamente e direcionadas como um foco de intervenção personalizada com o objetivo de melhorar a adesão e, consequentemente, os resultados de saúde em pacientes com esclerose múltipla”, acrescentaram.

 

Fonte: MS News Today

Tradução e adaptação: Redação AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose

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