Meu querido diário…

Por Tati Abrahão

 

RJ, 02/07/2019

Depois de 1 ano e 7 meses, RM.

1a7m que não me dedicava a isso, que o foco não é a EM.

Hoje o preparo é outro, não basta apenas fazer o jejum, pegar a carteira do plano e os pedidos médicos.

Hoje o jejum é outro, envolve meu bem maior. Hoje o jejum principalmente será de dar o alimento ao meu pequeno, de aconchegá-lo quando estiver nervoso em meu peito. Teremos de saber lidar com esse momento. Talvez, e muito provavelmente, eu muito mais do que ele.

Medo do que está por vir.

 

RJ, 03/07/2019

Na hora de fazer a RM perguntei quanto à amamentação. Disseram que eu poderia amamentar. Mas não me senti segura. Fiquei em pânico de fazer mal ao Lucca.

Foi difícil. Teve choro (meu e dele). Teve neném que se recusou a tomar fórmula, a comer a comidinha… Teve peito estourando de tanto leite acumulado. Teve bombinha que não funcionava…

Ou seja, teve neném com fome e mãe arrasada.

Mas deu certo… 

No meio da madrugada não aguentei mais e amamentei meu bebê, que ficou saciado, aconchegado e sem passar mal!

 

RJ, 22/07/2019

Lucca completa 8m.

Retorno ao Neuro com as ressonâncias.

Algumas frases ainda ecoam: “sem atividade inflamatória”; “sem lesões novas”; “doença estabilizada”; “passou pelo período crítico sem qualquer atividade da EM”.

E cá estou eu agradecendo muito a Deus por essa bênção.

Eu consegui!

 

Houve incertezas? Inseguranças? Medos?

Sim, Sim, Sim!!

Mas valeu a pena cada etapa do planejamento, a transição, a materialização …

meu pequeno está aqui, firme, forte e sapeca, meu corpo colaborou lindamente e vamos seguindo nessa jornada… Enfrente e em frente sempre!

 

Que venham os próximos capítulos. Me preparar pro desmame e voltar pro antigo medicamento. 🧡

 

RJ, 14/12/2019

Passaram-se 20 dias da última mamada. Enfim desmame concluído. Feito da forma mais gentil que estava ao meu alcance, sem mudanças drásticas. Fiz o que pude para que o sofrimento do Lucca fosse o menor possível. Na verdade, não foi fácil pra nós dois. Até um determinado momento houve muito sentimento de culpa, mas teve muito diálogo com os médicos envolvidos, com familiares, amigos…

Eu estava certa do caminho que precisava seguir e ao mesmo tempo feliz de ter conseguido amamentá-lo por tantos meses.

Inicialmente a minha expectativa era de que não aconteceria, depois descobri que poderia sim, o medicamento não impossibilitaria me doar inteiramente ao meu bebê.

E enfim aconteceu. Os marcos que eu fixei foram sendo atingidos e estava tudo bem, mas eu precisava iniciar o desmame…

Fui reduzindo aos pouquinhos, com calma. Meu corpo foi respondendo super bem e então chegamos à última mamada. A da hora de dormir. Já não era mais fome. Era o nosso aconchego. O nosso “boa noite”. Mais um passo à ser dado.. E então quando ele não solicitava, não dava, o que não era muito frequente rs. E assim fomos indo…

Até que chegou O dia. Já não saía quase nada de leite, não tava sendo bom pra ele e nem pra mim! 24/11/2019: última mamada. Os dias que se seguiram não foram muito fáceis. Ele já entende quando a comida acaba e foi assim que fizemos. Conversava com ele, explicava que acabou. Ele não ficava muito feliz. Mas seguíamos com carinho, música, beijos. E a nossa rotina do sono foi mudando, o nosso aconchego se transformou! Já temos o NOSSO momento de volta.

 

E agora: Tecfidera! Aí vou eu!