E AGORA, SERA DEPRESSÃO?

Olá amigos múltiplos tudo bem?

Bom, entramos em 2019, primeiramente gostaria de desejar muita força, coragem e resiliência para esse ano. Os “astros” nos avisam que teremos momentos tenebrosos.

Já estamos tendo a infelicidade de vivenciar aquilo que eu mais temia na vida

com Esclerose Múltipla, o caos instalado na distribuição de medicamentos. Eu recebi o meu por sorte, organização, competência ou sei lá, apenas notei que fui a minoria entre nossos colegas.

Então, estive refletindo. Chegou o dia dos blogueiros prestarem conta do número de posts e de seu blog aqui, foi então que percebi que em 2018 não estive muito presente, foi um ano muito tumultuado mundialmente e dentro do meu ser também.

Bem, foi o primeiro ano que fiquei sem o acompanhamento da minha psicóloga, depois de 9 anos sendo analisada e ouvida. Por uma infeliz coincidência, foi o ano em que houveram algumas mudanças em minha vida.

Além de estar tendo que me acostumar com essa mudança de horário do marido, vocês podem estar se perguntando: ” Mas a Fabi não é notívaga ? Sempre curtiu ficar até tarde acordada?

E eu posso dizer que siiiim, sou da noite, da madrugada, uma verdadeira vampira, porém o tempo que ele trabalha é grande, são 8 horas, quando não se estende e acabo ficando mais dessas oito horas sozinha. Isso não está sendo simples pois além de não ter o apoio diário do Baby, fico tempo demais caçando o que fazer, sendo assim a mente se perde no vazio.

Conhecemos o ditado “mente vazia, oficina do diabo”. A mente em descanso, repouso não pode causar angústia, porém quando ela anda divagando sem objetivo não nos faz bem, portanto é daí que surge a ideia do ditado.

Esses dias, após as festas de fim de ano, me peguei com alguns pensamentos desanimadores que não combinam com a pessoa alegre que sempre fui.

Me surpreendi com as sensações que notei como a mudança de humor constante, a irritação, a perda de concentração, a falta de raciocínio, a memória falhando mais do que o normal, no corpo, muitas dores nas costas, de cabeça, ombros e nuca super tensos, estomago com sensação de que meu refluxo voltou, tenho tosse após me alimentar.

Sabemos que Janeiro é Branco pra nos conscientizar que quem não cuida da mente, não cuida da vida e notei que minha mente não anda nada boa. Aquela menina alegre, feliz pela vida, está ausente. Então, percebi o motivo de minha ausência aqui, quando não estou muito bem não gosto de postar, pois tenho medo de influenciar e até desanimar vocês com lamentações.

Sempre fui uma pessoa positiva que tem palavras de esperança na ponta da língua para se possível ajudar o próximo. Porém, nesse ano de 2018, me vi uma mulher triste, com dores pelo corpo, me sentindo até infeliz em alguns momentos. Me encontrei chorando pelos cantos e percebi que a tristeza andou tomando conta de mim.

Não existe um motivo específico pra que isso tenha acontecido, além de acreditar que essas mudanças em minha vida me trouxe um certo sentimento de insegurança e medo.

O temor de saber que eu possa precisar de alguma coisa e estarei sozinha, me sentir mal, indisposta, com vertigem ou fraca. A imprevisibilidade da EM é a característica mais difícil de conciliar com nossas vidas.

Outra questão que está causando essa angústia toda é o fato de não termos mais momentos de lazer juntos, sair pra jantar, assistir a um show, ir ao cinema, fazer planos. Estou tendo uma vida social sem a companhia do Baby, que sempre foi meu companheiro e cúmplice de todas as aventuras. Agora muitas vezes saio com a minha família, amigos e outras até sozinha. Confesso que já estou acostumando com essa situação, só que na verdade não gostaria de me acostumar.

Quando li sobre a campanha Janeiro Branco, super me identifiquei com alguns sintomas e cheguei a fazer testes na internet para saber se não estou com depressão e nesses testes, o que me chamou mais atenção foi o alerta para uma crise de ansiedade que costuma acontecer antes da própria depressão e a recomendação foi o que fiz de imediato, exercício físico e atividades que me dessem prazer.

Foram quase 10 anos de terapia e isso não pode ser em vão, tento buscar na memória tudo que aprendi com minha psicóloga, claro que junto ao diagnostico de EM, meu doutorzinho me prescreveu um antidepressivo depois que me queixei de dores e temores, além de um ansiolítico que me ajudava muito no caso de formigamentos e vertigens no inicio que uso até hoje. Portanto, acredito que esses medicamentos ajudam a me erguer também, não deixar que esse estado deprimido tome conta do meu ser por inteiro.

Outra coisa que ando percebendo é que esses sintomas de depressão se exacerbam no período menstrual, na famosa e inquietante TPM e conversando com meu ginecologista, ele explicou que a mulher quando esta passando por situações estressantes a TPM é ainda pior “Os resultados mostraram que mulheres que se sentem estressadas estão mais sujeitas a sintomas moderados e graves, como depressão e tristeza, durante a menstruação. As consequências também foram evidentes no corpo: mais dores, inchaço abdominal, dor lombar, fadiga, cólicas, dor de cabeça e desejo por alimentos doces ou salgados. Altos níveis de estresse foram relacionados com uma probabilidade duas a quatro vezes maior de sofrer sintomas graves da TPM.”

E constatei exatamente isso, como faço uso do DIU mirena não menstruo nunca, em algum mês pode acontecer de alguma sujeirinha escapa. Nesse ano que terminou o estresse tava tão forte que fiquei menstruada, com direito a relembrar o uso do absorvente, no dia 31 de Dezembro.

Bem, como a ideia aqui é conscientizar sobre o Janeiro Branco, que possamos ter uma cultura para a saúde mental. Por isso contei a minha historia aqui, que pode ser bobagem para alguns. Porém, a ideia não é a causa desses sintomas, mas sim a importância que temos que dar a eles. Dessa vez foi comigo, aproveitei a consulta com a Dra Roberta e contei tudo que aconteceu comigo e lhe disse que no período menstrual a coisa fica ainda pior. Ela como sempre super compreensiva, me disse que essas mudanças na rotina podem desencadear um quadro depressivo, ainda mais quando não estamos contentes com essas mudanças e elas nos trazem algumas preocupações.

Enfim, ela achou melhor aumentar um pouco a dose do antidepressivo para tentar auxiliar na ansiedade e nos pensamentos negativos, ao mesmo tempo e melhor conversou muito comigo e ate me ajudou abrir os olhos.

Bem amorecos múltiplos, era isso!

 

Por favor, se alguns desses sintomas como tristeza, apatia, falta de motivação, dificuldade de concentração, pessimismo, insegurança e outros físicos como dores no corpo, cansaço ou fadiga, alterações de peso, tensões na nuca ou nos ombros, distúrbios do sono, problemas digestivos, dor de cabeça,  estiver acontecendo com você ou com alguém que você conheça por mais de duas semanas, não deixe quieto, procure ajuda ou oriente a pessoa a procurar e converse muito, deixe ela desabafar, sem tentar querer resolver o problema dela se ela não pedir. Algumas pessoas só precisam falar. Ate você precisa!

Vou deixando vocês por aqui com 2019 beijinhos!!!!

 

Fonte: https://ciencia.estadao.com.br/blogs/ciencia-diaria/estresse-pode-piorar-muito-os-sintomas-fisicos-e-psicologicos-da-tensao-pre-menstrual/