Quando o novo tempo chegar, abrace

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por Suzana Pereira Gonçalves

O ano era 2020,o mês era março, o dia era 13 e foi decretada a Pandemia.
Ainda sem entender muito sobre a gravidade do que se passava do outro lado do mundo e poucos casos de Covid 19 aqui no Brasil, me arrisquei a enfrentar toda dinâmica estabelecida para uma nova maneira de viver o distanciamento social e cuidados sanitários. Uma nova condição de vida com suas adaptações.
Medo – Tive muitos, afinal eu era do grupo de risco, bote risco:Pressão Alta,Esclerose Múltipla e Idade.
Ansiedade – Nível altíssimo;crises de taquicardia foram frequentes e dores neuropáticas por causa das tensões.
Saudade – Sabia que seria muito difícil ficar longe de quem amo,mãe, filhos, netos, irmãos e amigos.
Rotina – Tudo diferente, esquisito, mas me concentrei a seguir as regras.
Angústia – Muita vontade de chorar,muitas lágrimas derramadas,muitas variações de humor, se meu marido ainda está comigo é porque me ama de verdade.
Consciência – Os dias foram se passando e fui tentando viver um de cada vez,com serenidade,esperança,tentando estabelecer metas.
Ações concretas – Busquei me reinventar, escrever textos,fazer pilates on line,beber vinho e cozinhar a dois,ler três livros de uma vez,assistir séries que há muito queria ver,arrumar gavetas e armários, separar doações,trabalhar com minhas vendas on line,ver meus amores através da tela do celular, cada chamada uma alegria sem fim, inventei que faria leves, sim lives, sem a menor tecnologia me aventurei a chamar meus pares de patologia para partilhar suas experiências comigo e nesse meio houve até médicos que se dispuseram a dividir seus conhecimentos conosco.
Gratidão – Ao meu companheiro/amigo de todas as horas que não tem comorbidade alguma e saia para as compras e voltava sempre com flores dos jardins alheios para mim. Meus filhos que se dividiram em mutirão para não faltar nada, buscar a medicação no CREM, comprar Ring Ligth para as lives, cosméticos,enviar refeições,trazer meus netos via chamada de vídeos até a vovó saudosa.
Fé – Em tempos difíceis Deus me enviou um Anjo Combatente, na forma de gente
é, anjo, esclerosada como eu, Aninha me chamou para uma live sobre amizade, no dia do amigo e me colocou nas mãos a missão evangelizadora que faltava ser trabalhada na minha alma.
A Cereja do Bolo – O Agosto Laranja com a AME, sem palavras, me colocou de pé em plantão para buscar a felicidade partilhada.
Voz,olhos e corações – Quando passei a prestar mais atenção a cada palavra dita, a cada postagem saída das almas dos meus pares,descobri que no nosso mundo esclerosado tem muita gente boa,pessoas incríveis que nesses meses de tantas dificuldades, souberam se reinventar partilhando dores e sorrisos.Uns antigos na patologia com suas experiências ricas, vivenciadas ao longo dos anos, jovens engatinhando no diagnóstico,mas com uma garra muito grande de vencer, assumindo a EM com um grau de pertencimento sem tamanho, fiquei abastecida ininterruptamente com suas pesquisas, conhecimentos e vontade de virar a chave do medo para a esperança.
De Volta ao “Novo Normal” – Em outubro abriu-se uma lacuna e ganhamos a “Liberdade Vigiada”, sai pra rua, fui a praia, ao shopping, abracei meus netos, comemorei até meus 62 anos em família, mas confesso, o medo voltou assim como, voltamos a estaca zero, então voltei para casa, meu porto seguro.
E aqui estou eu, com muita esperança na vacina, vejo luz no fim do túnel.

Suzana Pereira Gonçalves
João Pessoa,14 de Dezembro de 2020

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