O DIA QUE A ESCLEROSE MÚLTIPLA ESQUECEU DE MIM

​Oi amigos, tudo bacaninha com vocês?

Hoje é um dia muito especial para mim, minha amada mãe faz aniversário.
E o assunto que quero tratar com vocês hoje, me lembrou a maior festança da minha vida que descobri algo muitíssimo importante para minha vida com esclerose múltipla.
É sobre como conseguimos diferenciar as sensações que temos quando temos uma doença como a EM onde nos deixa em sinal de alerta o tempo todo, tensos na maioria do tempo e ao mesmo tempo perdidos.
Bem, foi no dia da celebração do meu casamento com o Baby, que ganhei um dia de noiva, e aprendi como seria melhor conviver com a EM.
Dia 20/12/08 há 1 ano e dez meses pós o diagnóstico e pulso com ciclofosfamida, era o dia mais importante da minha vida naquele momento. Todos da família estavam muito preocupados, porque sabem o quanto o nervoso nos atrapalha e age negativamente nos sintomas da EM, era início de verão, e até o vestido de noiva foi uma preocupação, afinal tenho sensibilidade ao calor e vou passar mal. Para piorar a situação, eu havia inventado um casamento temático e o tema foi anos 50, romântico e super glamouroso.
A costureira que desenhou meu vestido, fez um lindo bolero de renda e pérolas que achei que nunca conseguiria usar.
Então, todos imaginavam que aquele seria um dia muito difícil para mim, muito cansada, calor e tensa, nervosa para que tudo saísse perfeito.
Foi aí que minha mãe me deu o melhor presente do mundo, um dia no Spa, para o tão esperado dia da Noiva. Cheguei lá cedinho, a manhã estava linda, um sol radiante e me buscaram para começar a programação de relaxamento. Massagens nos pés, massagens no corpo, massagens facial, massagens nas mãos, passando creminho aqui e ali o tempo todo e por fim, o ofurô. Esse saí correndo pois já era o último e não ia estragar todo o resto com aquela água quente.
Resultado, cheguei no salão de beleza para me arrumar, a pessoa mais zen do Ocidente. Os amigos-funcionários preocupados que eu estaria uma pilha, e eu pisando em nuvens de tão tranquila. Foi aí que notei o que aconteceu naquele dia. Tive um dia no Paraíso, limpei minha mente e só estava ali para aquilo, relaxar. Não pensei em mais nada, contratei as pessoas de minha confiança para decorar o casamento e cuidar do principal, cuidei dessa festa como de um filho, com todo cuidado do mundo, pensando em todos os detalhes.
Agora eu estava lá para sossegar meu coração, relaxar a minha mente e distrair a minha alma.
E foi assim que não senti nenhuma lembrança de esclerose múltipla. O calor não atrapalhou, usei meu lindo bolero a noite inteira até chegar no hotel. Salto alto sem problema, nenhum resquício de tontura, cabeça pesada afinal o dia foi super cansativo. Nada de fadiga, cansada no calor.
Então percebi, chega uma hora que temos que deixar a EM quieta também, esquecer dela, conseguir limpar a mente e apenas fazer algo que dê prazer relaxante. Pois acredito que no meio de tanta sensação diferente que sentimos, o nervoso, medo, insegurança de uma doença imprevisível pode nos causar uma piora nesses sensações ou até na EM.
Por isso sempre digo, tente encontrar algo que te dê equilíbrio, fazer algo que você goste, que não te lembre o tempo todo da EM, pelo menos de vez em quando.
E é o que estou tentando fazer, porque um dia escrevi:
Devemos levar a vida de forma leve
Porque ela já nos trás muitas coisas pesadas
E se não estivemos leves não conseguimos carregar.
 
Então, estou querendo seguir esse meu pensamento, como um mantra.
 
Meus amigos, me contem como fazem para se desligar da EM. Estou pensando em meditação.
Mil beijinhos