Estudo mostra que vacinação não aumenta risco de internação na EM

Uma pesquisa realizada com pessoas com EM mostra que a vacinação não é causa de recaídas e hospitalização

Compartilhe este post

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no twitter

Os pesquisadores concentraram-se na necessidade de internações hospitalares relacionadas a recorrências da esclerose múltipla.

Pessoas com esclerose múltipla (EM) que recebem vacinas contra a influenza, comumente conhecidas como vacinas contra a gripe, assim como contra difteria, poliomielite, pneumococos e vários outros patógenos, não têm probabilidade significativamente maior de serem hospitalizadas devido a uma recaída da doença, de acordo com um novo estudo na França.

Resultados semelhantes foram observados entre homens e mulheres, e em todas as faixas etárias, conforme mostraram os dados.

Os pesquisadores observaram que não foi encontrada nenhuma ligação entre a necessidade de hospitalização por uma recaída ou surto de EM e a vacinação, “considerada globalmente ou individualmente, independentemente do grupo etário estudado”.

“Este estudo nacional da população francesa não encontrou nenhuma associação entre a vacinação e o risco de hospitalização devido a surtos de esclerose múltipla”, concluíram os cientistas, observando que “a imunização por meio de vacinas de toda a população é crucialmente importante para a saúde pública”.

O estudo, “Vacinas e o Risco de Hospitalização por Surto de Esclerose Múltipla“, foi publicado na revista JAMA Neurology.

Investigando a ligação entre recaídas de esclerose múltipla e vacinas

Na EM, o sistema imunológico lança um ataque inflamatório contra células saudáveis no cérebro e na medula espinhal. A maioria dos pacientes experimenta recaídas, quando os sintomas antigos retornam subitamente ou novos aparecem, seguidos por períodos de remissão, nos quais os sintomas aliviam ou desaparecem completamente.

Evidências crescentes sugerem que agentes infecciosos, especialmente o vírus Epstein-Barr, desempenham um papel no desenvolvimento da EM. Em geral, doenças infecciosas também têm sido relacionadas ao risco de recaídas ou surtos de EM.

As vacinas são projetadas para simular uma infecção sem causar doença. Cada uma treina o sistema imunológico para reconhecer e combater aquela infecção específica, a fim de prevenir ou reduzir seu impacto.

No entanto, se as vacinas podem desencadear recaídas de EM é incerto, “destacando a necessidade de estudos em larga escala bem conduzidos para examinar a associação”, escreveram os pesquisadores.

Para obter mais informações, uma equipe de cientistas na França examinou dados do registro do Sistema de Bancos de Dados Nacionais de Saúde (SNDS), que cobre mais de 99% da população francesa.

Um total de 106.523 pessoas com EM foi identificado, sendo a maioria delas (71,8%) mulheres. A idade média desses pacientes era de 43,9 anos.

Mais de dois terços dos pacientes (70,3%) haviam utilizado pelo menos uma terapia modificadora da doença, e quase metade (47,4%) recebeu tratamento com corticosteroides em alta dose – medicamentos frequentemente utilizados para controlar sintomas durante uma recaída.

Sete categorias de vacinas foram investigadas, incluindo DTPPHi – cobrindo as vacinas contra difteria, tétano, poliomielite, coqueluche ou Haemophilus influenzae – e aquelas para o vírus da hepatite B (VHB) e influenza. Outras três foram a vacina pneumocócica, a vacina meningocócica e as vacinas contra sarampo, caxumba ou rubéola. A última categoria era para todas as outras vacinas, especificamente aquelas para o vírus da hepatite A, tuberculose, vírus varicela e vírus varicela-zoster.

Para este estudo, recaídas de EM foram definidas como a ocorrência de uma hospitalização de pelo menos um dia com pernoite.

Durante os 11 anos de acompanhamento, mais da metade dos pacientes com EM receberam vacinas.

Ao todo, 35.265 pacientes (33,1%) experimentaram pelo menos uma recaída durante os 11 anos de acompanhamento.

Por sua vez, 58.195 indivíduos (54,6%) receberam uma vacina em algum momento durante o acompanhamento. As vacinas mais frequentemente prescritas foram DTPPHi (30,3%), seguida pela influenza (19,2%) e pneumococo (7,0%).

Entre os pacientes com 34 anos ou menos, a DTPPHi foi a vacina mais frequentemente utilizada, enquanto a vacina contra influenza foi a mais utilizada nos outros grupos etários. A vacina pneumocócica foi administrada principalmente a pessoas com 70 anos ou mais.

As taxas de recaídas ocorridas dentro de 60 dias após a vacinação foram comparadas com aquelas que aconteceram imediatamente antes da administração da vacina em cada paciente.

Uma análise revelou que não houve aumento do risco de recaídas de EM que exigissem hospitalização para qualquer vacina. Resultados semelhantes foram observados em pacientes do sexo masculino e feminino e em vários grupos etários, incluindo aqueles com menos de 18 anos, indivíduos entre 18 e 34 anos, aqueles de 35 a 69 anos e indivíduos com mais de 70 anos. Não foram observados aumentos nos riscos para as vacinas DTPPHi, influenza e pneumocócica.

O padrão de risco observável permaneceu inalterado quando foram aplicadas janelas de risco de 30 dias e 90 dias. A única exceção foi a vacina pneumocócica com uma janela de risco de 90 dias, que foi associada a um aumento de 1,6 vezes no risco de recaídas de EM que exigiam hospitalização.

“Nenhuma associação entre a exposição geral a vacinas e recaídas de EM que exigem hospitalização foi observada neste amplo estudo nacional”, concluíram os pesquisadores. “No entanto”, observaram, “o estudo não pode descartar completamente a existência de um pequeno risco, especialmente no caso da vacina pneumocócica.”

A equipe acrescentou que, “dada a quantidade de subtipos de vacinas disponíveis, são necessários mais estudos para confirmar esses resultados.”

 

Traduzido e adaptado por Redação AME

Texto original publicado em Multiple Sclerosis News Today

Explore mais

Clube AME

O poder da soneca na Esclerose Múltipla

Descansar um pouco durante o dia pode ajudar a prevenir a fadiga, que é um dos principais sintomas da esclerose múltipla. Quais são os efeitos disso? Como deve ser praticado?