O que são lesões latentes na Esclerose Múltipla?

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A progressão da Esclerose Múltipla (EM) pode variar de pessoa para pessoa. Alguns indivíduos podem apresentar progressão rápida e deficiência significativa, enquanto outros podem progredir mais lentamente e apresentar menos sintomas. As razões subjacentes a essas diferenças não são bem compreendidas. No entanto, um estudo publicado no início de 2020 aponta para um tipo específico de lesão cerebral que pode contribuir para uma progressão mais agressiva.

O que são lesões latentes?

Pesquisadores do National Institute of Health (NIH) usaram scanners cerebrais de alta potência para detectar a presença de manchas dentro do cérebro. Essas manchas circulares, também chamadas de lesões latentes, têm contornos escuros ao seu redor que são visíveis nessas imagens. Normalmente, a resposta autoimune relacionada à EM pode criar lesões ou manchas no cérebro. Essas lesões podem ser usadas no diagnóstico da EM e no monitoramento de sua progressão ou resposta ao tratamento. Imagens de ressonância magnética de alta potência permitiram aos cientistas encontrar essas lesões com bordas e distingui-las das lesões sem bordas.

Diferenças entre lesões com e sem borda

As lesões que não apresentam bordas (lesões não latentes) podem encolher ou desaparecer completamente com o tempo. No entanto, essas lesões orladas recentemente identificadas são diferentes. As lesões contornadas frequentemente permanecem em seu tamanho normal ou se expandem. Acredita-se que eles representem uma inflamação crônica e ativa de natureza “latente” ou consistente. Esse tipo de inflamação pode ser especialmente prejudicial para o cérebro.

O que a pesquisa diz?

Os pesquisadores criaram um estudo para descobrir se as lesões contornadas estavam associadas a formas graves de EM. Para saber mais, eles estudaram varreduras cerebrais de alta potência de 192 pessoas com EM. Cada pessoa foi autorizada a permanecer em seu plano de tratamento atual durante o estudo. No geral, 56% dos participantes tinham pelo menos uma lesão com rebordo. Cerca de 34% tinham de uma a três lesões latentes e 22% tinham mais de quatro dessas lesões. Aproximadamente 44% dos participantes não tinham lesões latentes, o que significa que tinham apenas lesões sem aro.

Lesões mais contornadas foram associadas a EM mais progressiva

Os pesquisadores compararam o número de lesões aos sintomas clínicos de cada pessoa. Aqueles com 4 ou mais lesões com rebordo tiveram 1,6 vezes mais probabilidade de ter EM progressiva do que aqueles sem lesões com rebordo. Além disso, essas mesmas pessoas eram mais propensas a ter deficiências cognitivas ou motoras anteriores. Aqueles com 4 ou mais lesões latentes também tinham menos substância branca e gânglios da base menores em geral, sendo que ambos são importantes componentes do cérebro relacionados à comunicação. Esses resultados sugerem que quanto maior o número de lesões contornadas que uma pessoa tem, maior a probabilidade de ter EM grave e progressiva.

Locais ativos de inflamação crônica

Os pesquisadores também usaram uma impressora 3D para comparar as lesões contornadas encontradas nas varreduras de alta potência com amostras de tecido de autópsia (pós-morte) de uma pessoa com esclerose múltipla. Isso permitiu que os cientistas tivessem uma ideia melhor de como as lesões latentes realmente se parecem dentro do cérebro. Eles descobriram que as lesões em expansão, contornadas, tinham todos os sinais inflamatórios clássicos ao microscópio. As lesões contornadas pareciam ser locais ativos de inflamação crônica, causando danos significativos no cérebro.

O que isso significa para a EM?

Embora muito mais pesquisas sejam necessárias para compreender o papel que as lesões com contorno podem desempenhar na progressão da EM e para entender melhor quem está em risco de desenvolvê-las, esses resultados sugerem que as lesões latentes podem estar associadas a formas mais graves da doença. A detecção de lesões circulares pode ajudar a prever a progressão e determinar quem está em risco de formas mais graves de EM. Essas lesões também podem fornecer um novo marcador para testar e monitorar as opções de tratamento para EM progressiva. Embora os cientistas no estudo tenham usado uma máquina de ressonância magnética de alta potência específica, eles divulgaram diretrizes sobre como reprogramar as máquinas existentes para detectar melhor as lesões latentes. Isso pode tornar a detecção desses pontos mais viável em muitos ambientes de saúde diferentes.

 

Tradução e adaptação: Redação AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose

Fonte: Equipe Editorial MultipleSclerosis.net, 2 de janeiro de 2020

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