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O que há de novo nas pesquisas e estudos sobre a EM

O que há de novo nas pesquisas e estudos sobre a EM

A cidade de Barcelona, na Espanha, recebeu entre os dias 7 e 10 de outubro, o 31º Congresso do Comitê Europeu para o Tratamento e Pesquisas sobre a Esclerose Múltipla – ECTRIMS. Entre as companhias participantes, a Genzyme, braço de biotecnologia do grupo Sanofi, participou ativamente do evento e apresentou sua nova iniciativa global, que tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a carga emocional e física, muitas vezes não falada, provocada pela esclerose múltipla recorrente (EMR) em pessoas que convivem com a doença e seus cuidadores. Além da pesquisa, mais de 50 médicos-pesquisadores apresentaram resultados de seus estudos com as terapias desenvolvidas pela empresa.

A pesquisa global “vs.MS” foi elaborada para melhor entender o tema e abordou mais de 1.500 pessoas que convivem com a doença e seus cuidadores em sete países. “Nós acreditamos que, quanto mais sabemos, mais podemos fazer. As descobertas feitas por meio da vs.MS vão ajudar a esclarecer qual o prejuízo físico e emocional passível de ser exercido pela EMR. Com isso, poderemos nos antecipar e desenvolver programas de cuidados que poderão ajudar a incentivar cuidados melhores e mais interativos”, disse a chefe de EM Medical Affairs da Genzyme, Darlene Jody.

Durante o ECTRIMS, a Genzyme reuniu líderes de toda a comunidade de EM para examinar as informações e iniciou o desenvolvimento de um programa que será, posteriormente, apresentado. A análise da vs.MS permitirá vislumbrar o verdadeiro impacto que a doença pode ter sobre vários aspectos da vida diária de pessoas que convivem com a doença. Para metade das pessoas pesquisadas, por exemplo, a capacidade para progredir em suas carreiras piorou depois de diagnosticadas com a EMR e 40% estão preocupadas sobre a possibilidade de perder o emprego. A vs.MS também revela o efeito da EMR sobre o bem-estar emocional tanto dos portadores da doença como de seus cuidadores. Mais da metade dos participantes da enquete que convivem com a EMR se sentem solitários ou isolados por causa da doença, enquanto mais de 50% dos cuidadores não falam de seus receios quanto ao avanço dela – para evitar aborrecer a pessoa de que cuidam. “Esperamos que as percepções quanto às lutas diárias daqueles que convivem com a EM resultem na melhor gestão da doença”, disse o dr. Barry Singer, médico e diretor do Centro para Inovações nos Cuidados de EM no Missouri Baptist Medical Center em St. Louis, Missouri, e membro do comitê de direção da vs.MS.

EFICÁCIA DAS NOVAS TERAPIAS – Durante o ECTRIMS, foram realizadas mais de 50 apresentações de estudos investigativos por meio de palestras e posteres técnicos sobre as terapias para esclerose múltipla da Genzyme. Dentre todas, duas boas notícias se destacam: uma nova análise que indica que a teriflunomida retarda a atrofia cerebral e o estudo que demonstra que os efeitos do tratamento com alentuzumabe são mantidos durante cinco anos na maioria dos pacientes, nos ensaios clínicos.

A atrofia cerebral está ligada à perda de neurônios de forma acelerada, comprometendo o controle neurológico e cognitivo e, portanto, a qualidade de vida do paciente. Novos dados sobre imagens por ressonância magnética do estudo de fase 3 TEMSO demonstram que o tratamento feito com teriflunomida retarda, significativamente, a perda do volume cerebral (atrofia) durante dois anos em pacientes com esclerose múltipla recorrente (EMR) vs. placebo. Nesse estudo, as ressonâncias magnéticas  foram analisadas com o SIENA, uma avaliação estrutural por imagem utilizando normalização da atrofia, uma metodologia alternativa ao que havia sido utilizada originalmente.  A mudança do volume  basal  do cérebro foi avaliada em pacientes tratados com14 mg ou 7 mg de teriflunomida ou placebo. Nos estudos clínicos  da  EM, incluindo  o  TEMSO, a incidência de eventos adversos graves foi semelhante entre pacientes tratados com a teriflunomida  e aqueles tratados com placebo. “O controle ou a prevenção da atrofia do cérebro é um importante alvo para o tratamento da EM”, disse o prof. dr. Ludwig Kappos,  do departamento  de neurologia do Hospital Universitário de Basileia, na Suíça. “Esses dados ajudam a fornecer uma visão mais aprofundada dos efeitos potenciais  da  teriflunomida.”

Já os resultados de cinco anos  de  estudos  do alentuzumabe foram considerados surpreendentes. Os estudos pivotais de fase 3 observaram efeitos nos dois anos de acompanhamento em pacientes  com EMR tratados com a medicação. Os mesmos resultados se mantiveram na fase de extensão por mais três anos.   Após o primeiro ciclo completo de tratamento nos estudos pivotais, administrado no mês  0  e no mês 12, 68%  dos pacientes tratados com o medicamento no estudo  CARE-MS  I e 60%  no estudo CARE-MS II não necessitaram de tratamento adicional com o medicamento até o fim do mês 60. As baixas taxas anualizadas de surtos, que foram observadas nos pacientes que receberam alentuzumabe no estud o CARE-MS I (0,18) e no CARE-MS II (0,27), foram mantidas  no  ano  3  (0,19 e 0,22, respectivamente) até o ano  5  (0,15 e 0,18, respectivamente).

MELHORIA NA QUALIDADE DE VIDA – Até o fim do ano  5, 80% e 76% dos pacientes  que receberam alentuzumabe nos estudos  CARE-MS I e CARE-MS II, respectivamente, não  apresentaram  piora na progressão da  incapacidade,  resultado confirmado  durante seis  meses, de acordo com as pontuações  da Escala Expandida do Estado de Incapacidade (EDSS, em inglês). Até o fim do ano 5, 33% e 43% dos pacientes que apresentavam algum tipo de incapacidade antes de receber o medicamento nos estudos CARE-MS I e CARE-MS II, respectivamente, haviam melhorado o EDSS, resultado confirmado durante pelo menos seis meses, em comparação com o EDSS basal. Também até o fim do ano 5, os pacientes tratados com alentuzumabe no CARE-MS I e no CARE-MS II apresentaram redução da atrofia cerebral, medida pela fração de parênquima cerebral em exames de ressonância magnética (MRI). Nos anos 3, 4 e 5, a perda média do volume cerebral anual foi de 0,20 % ou menor, resultado inferior ao observado durante os estudos iniciais de dois anos.   Em todos os anos da fase de extensão – ano 3, ano 4 e ano 5 – a maioria dos pacientes não apresentou evidências na MRI de atividade da doença (70 – 72%, no CARE-MS I; 68 – 70%, NO CARE-MS II). Até o fim do ano 5, a incidência da maioria dos eventos adversos foi equivalente, ou menor, na comparação com os estudos pivotais. A frequên cia de eventos adversos tiroidianos foi maior no ano 3, e depois diminuiu.

Os estudos de fase 3 do alentuzumabe foram realizados de forma randomizada e com avaliador-cego, como estudos pivotais de dois anos, comparando-se ao tratamento com alentuzumabe ante altas doses de interferon beta-1a em pacientes com EMR, cuja doença estava ativa (CARE-MS I) ou tiveram resposta inadequada a outra terapia (CARE-MS II). Mais de 90% dos pacientes que foram tratados com alentuzumabe nos estudos fase 3 se cadastraram para a fase de extensão. Esses pacientes tinham o direito de receber tratamento adicional com o mesmo medicamento na fase de extensão, caso apresentassem pelo menos um surto ou pelo menos duas lesões novas ou aumentadas no cérebro ou na medula espinhal. “Esses dados ilustram& nbsp;que a maioria dos pacientes tratados com alentuzumabe apresentou efeitos benéficos duradouros do tratamento, apesar da ausência de terapias adicionais”, disse a professora Eva Havrdová, médica, Ph.D. do Centro de Esclerose Múltipla do departamento de neurologia, Primeira Faculdade de Medicina, Universidade de Charles, em Praga, República Tcheca.  “ É encorajador ver o resultado desses efeitos, tão consistentes, se mantendo durante cinco anos”.

Ambos medicamentos são aprovados em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. O alentuzumabe é um anticorpo monoclonal que tem como alvo a CD52, uma proteína abundante nas células T e B. Pensa-se que as células T e B circulantes são responsáveis pelo processo inflamatório danoso na EM. Já a teriflunomida é um imunomodulador com propriedades anti-inflamatórias. Embora o seu mecanismo exato de ação também não seja totalmente conhecido, ele pode envolver uma redução no número de linfócitos ativados no sistema nervoso central (SNC). As duas terapias apresentam grandes programas clínicos, com mais de cinco mil participantes dos estudos para cada medicamento.

Fonte: http://www.segs.com.br – 21/10/2015.

Imagem: Creative Commons.

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