Esclerose Múltipla e enxaquecas: Explorando a conexão que falta

Compartilhe este post

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no twitter

Se viver com uma doença crônica autoimune já não fosse dor de cabeça suficiente, muitas pessoas que têm esclerose múltipla também são afetadas por dores de cabeça reais.

Embora não seja considerado um sintoma típico da doença, há evidências de que as dores de cabeça são mais frequentes em pessoas com Esclerose Múltipla (EM) do que na população em geral. Embora o tipo e a gravidade das dores de cabeça variem de pessoa para pessoa, as cefaleias tensionais (dor intensa na testa, nas laterais e na parte de trás da cabeça) e as enxaquecas sem aura (geralmente uma dor pulsante que afeta uma área da cabeça associada à sensibilidade à luz e ao som, náuseas e irritabilidade) são as mais comuns.

Para muitas pessoas, uma dor de cabeça é o primeiro sintoma de Esclerose Múltipla. Uma pesquisa realizada com 78 pessoas com a doença apontou que dois terços experimentaram dores de cabeça antes de perceberem qualquer outro sinal da doença.

A frequência das dores de cabeça também varia. Dos 78 entrevistados, metade do grupo com EM teve dor pelo menos uma vez por semana.

Relação entre Esclerose Múltipla e enxaquecas: estudos

Há uma ligação evidente entre enxaquecas e Esclerose Múltipla. Um estudo com mais de 100.000 pessoas encontrou uma associação entre enxaquecas e um aumento do risco de EM. Além disso, outro estudo destaca que as enxaquecas são três vezes mais comuns em pessoas com Esclerose Múltipla. Na pequena pesquisa com 78 pessoas, 43% experimentaram enxaquecas acompanhadas de tontura, visão turva e tensão. As chamadas “enxaquecas com aura” parecem ser mais comuns após um diagnóstico de Esclerose Múltipla, e para muitas pessoas, pioram com recaídas.

Os cientistas ainda não compreendem completamente a ligação entre dores de cabeça e Esclerose Múltipla, pois as primeiras podem ocorrer devido a mudanças cerebrais causadas pela doença ou vice-versa. Sabemos, por exemplo, que as enxaquecas são comuns como forma de recaída da EM e que as dores de cabeça tensionais são mais frequentes em uma Esclerose Múltipla progressiva. Além disso, as dores de cabeça em pessoas com EM parecem ser mais prováveis se houver afetação do tronco cerebral, particularmente uma lesão na substância cinzenta central – uma região do cérebro médio que desempenha um papel no processamento dos sinais da dor. Dito isso, pode haver também algo sobre as enxaquecas que torne o cérebro mais suscetível à Esclerose Múltipla. Simplesmente ainda não sabemos.

Caso esteja preocupado com a possibilidade de que as enxaquecas sejam um sinal de progressão da Esclerose Múltipla, não é o caso. Embora as enxaquecas sejam mais comuns em pessoas com EM mais sintomáticas, elas não parecem estar associadas a um maior risco de incapacidade ou a um aumento da carga de lesões na ressonância magnética.

Dicas para evitar a dor de cabeça

A fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e limitação nas atividades diárias são algumas das consequências das dores de cabeça para um terço das pessoas, enquanto 39% dessas pessoas precisam descansar quando ocorrem os surtos. Ficar atento ao que pode desencadear uma dor de cabeça – luz forte, ruídos altos, certos alimentos – pode ajudar a reduzir a frequência e a gravidade dos ataques. Além disso, algumas mulheres notaram um padrão mensal nas enxaquecas, que pode estar relacionado aos períodos menstruais. De qualquer forma, sempre é recomendável discutir o problema com o médico, pois este poderá fornecer recomendações para aliviar a dor de cabeça.

Publicado originalmente em Fundación Esclerosi Múltiple

Traduzido e adaptado por Redação AME

Explore mais