Judith voltou e estou com medo

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Sobre a Judith…

Quem nunca julgou alguém pela simples aparência, que atire a primeira pedra! Ainda mais nos dias atuais, em que estamos nos acostumando sem nem sequer perceber a conceber tudo de forma tão rápida e passageira. Por vezes, esquecemos de olhar para o outro com um sentimento tão simples: a empatia.

E sabe aquela coisa de nos julgarmos antes que o outro nos julgue? Certo, isso tem sido reflexo, pelo menos para mim, de comportamentos e atitudes que eu não teria se me olhasse com um pouco mais de empatia.

Te convido a uma reflexão!

Quantas vezes, nos últimos meses, você deixou de fazer algo por conta do que os outros iriam dizer? E quantas deixou de falar ou se comportar de determinada maneira por medo? Já deixou até de usar uma roupa porque estava grande demais, curta demais, velha demais?

Eu começo respondendo:

Por vezes, eu deixo de sair usando minha bengala, porque estou cansada de ouvir que não preciso dela. Frequentemente, deixo de falar ou me expressar, porque fico com receio de ser julgada. Tenho notado que aumentei o número das minhas roupas, mesmo em claro processo de emagrecimento, porque tenho, no fundo, o desejo de me esconder cada vez mais dentro de peças que não mostrem muito o meu tamanho.

Bom, o que me levou a escrever este texto?

A vontade de dividir com vocês uma resposta que eu, racionalmente, criei para este comportamento completamente disfuncional e que acredito que vocês possam se identificar.

Sobre a questão da bengala

O apoio para andar é algo recente na minha vida esclerosada. Não novo, mas recente. “Judith”, o nome que dei à minha bengala, foi adquirida por mim há alguns anos, quando tive um surto que afetou consideravelmente meu equilíbrio. Para minha sorte, essa passagem durou pouco e logo Judith ganhou um lugar no meu guarda-roupa.

Pois bem, passados alguns anos e prestes a completar os oito anos de diagnóstico, eis que a necessidade do apoio retornou. Com muito menos aceitação e sentimentos de raiva, vergonha e impotência.

Por situações completamente alheias à minha vontade, estou sem tratamento para Esclerose Múltipla há seis meses. Depois de dois surtos em seis meses, a piora para andar é evidente. Mas, como disse, o medo e a vergonha têm me acompanhado. Atrelado a isso, o julgamento das pessoas é inequívoco.

Por vezes sou recebo o questionamento: “mas você não parece precisar de uma bengala”.

E eu pergunto:
Quem, em sã consciência, usaria uma bengala sem precisar?

Pois bem! Essa foi a resposta racional que eu criei para responder à minha própria mente quando eu teimo em sair de casa sem a ajuda da Judith.

Quantas outras respostas nós mesmos podemos criar para os pensamentos que nos surgem? Quais situações totalmente desnecessárias nos colocamos porque não nos comprometemos a olhar para nós mesmos com certa empatia?

Com isso, quero te dizer que, sim, julgamentos sempre irão existir, pois nós definitivamente não conseguiremos ensinar e enfiar sentimentos nas cabeças e corações alheios.

É claro que, quanto mais informação e educação existirem neste mundo, mais fácil será essa conquista. Por isso, não se esqueça de mandar este texto para alguém que faça sentido.

Mas não deixe de fazer algo por isso. Se questione, antes de qualquer coisa, se não se trata muito antes de um julgamento seu mesmo, reflexo desse mundo tão acelerado e descuidado.

Especialmente com corpos e vivências diversas, esse desafio pode parecer grande demais. E eu realmente acredito que seja.

Mas tenho tentado, num passo pequeno por vez, ajustar isso. Começando, literalmente, pelo meu próprio caminhar.

Me siga em @escritoporbarbara

 

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