É preciso estar bem com o corpo que se tem

Oi querid@s, tudo bem com vocês?

Por aqui, tudo bem. Fora a correria dos dias que não me deixam viver sem aquilo que faz um mal danado pra quem tem EM: stress. Eu bem que tento, mas a gente não tem controle sobre os fatos da vida, não é? Então, o negócio é respirar fundo e seguir em frente porque o mundo não para pra sentirmos fadiga.

Mas, não é sobre estresse que eu quero conversar hoje com vocês. É sobre aparência. Aparência física mesmo. Pode parecer fútil, ou inútil, mas quem nunca se sentiu um lixo ao se olhar no espelho durante uma pulsoterapia ou num dia de fadiga, que atire o primeiro pote de creme de hidratante.

Pois bem, na semana passada eu cortei meus cabelos. Precisava gostar mais de me olhar no espelho e, confesso que não estava me reconhecendo com aqueles cabelos compriiiiiidos. Cortei um tanto e doei o que foi cortado pra fazer perucas pras crianças que perdem seus cabelinhos no tratamento do câncer. 

Aí você pode dizer: mas Bruna, e aparência lá é importante quando o que está em jogo é a vida e a saúde das pessoas? E eu respondo: é sim! Não é porque você está com fadiga, em surto, com dor que você ainda precisa se sentir feia (o) e não atraente. (Meninos, não parem de ler por aqui…essa conversa é com vocês também! Nada de ficar achando que é o último dos caras só porque tá ruim pra caminhar!).

Eu nunca fui extremamente vaidosa, mas andar com os cabelos penteados, uma roupinha legal, um batonzinho (é a maquiagem que eu mais gosto) e um perfuminho (#todoapoioaoboticário), sempre foi algo que eu gostei. Aquela coisa de se olhar no espelho e achar que o que eu estava vendo era bom. E, ao contrário da maioria das pessoas que eu conheço, eu sempre me achei bonita. Sempre! A modéstia nunca fez muito parte desse corpo… hehehehe.

O problema é que a EM me tirou algumas habilidades, como a de conseguir secar os cabelos (e pentear as vezes também), passar um creme no corpo (pra que tanto corpo?), me depilar com mais frequencia (deusmelivre de cera…) e até passar uma maquiagem, porque o peso da mão as vezes não deixa passar um lápis perto do olho (é perigoso), fazer as unhas… Fui aprendendo a lidar com tudo isso. Os cabelos eu quase sempre usei bem curtinho, pra dar menos trabalho, pro resto, sempre pedi ajuda. Mas o fato é que, quando eu me sinto doente, principalmente quando faço pulso ou quando tenho muita fadiga, deixo esses pequenos cuidados de lado. É como se eu mesma me punisse: você tá um lixo mesmo, vai continuar assim e vai ficar pior, porque eu não vou te arrumar! 

É inconsciente essa coisa de ir me deixando de lado. Mas eu sei que faço. Esse foi um dos motivos pra eu cortar meus cabelos. Um é porque o inverno tá chegando e eu não consigo secá-los. O outro, é porque eu queria voltar a gostar de me olhar no espelho. Porque não adianta os outros falarem que você tá bonita. Você tem que se sentir bonita. E tem que estar atraente ao seu próprio olhar. Porque beleza é relativo… o que é bonito pra uns é feio pra outros. Na real, é preciso estar bem, sentir-se bem, com o corpo que se tem.

Uma vez, quando eu tava muito muito mal, no hospital, uma amiga que foi me visitar desceu até a farmácia, comprou alguns apetrecho, pintou minhas unhas e penteou meus cabelos. Claro que eu não melhorei da EM por conta daquele cuidado. Mas eu me senti melhor com o meu corpo. E isso foi fundamental para a minha recuperação. Não a recuperação do corpo, mas a da alma.

Então, quem quiser achar que é futilidade, ok, pode continuar achando. Mas se você tá se sentindo meio pra baixo, vai no guarda-roupa, pega aquela roupa que você sabe que cai bem em você (não precisa ser nada chique, pode ser aquele moletom que fica perfeito com uma calça jeans, um vestidinho, uma bermuda bonita pros meninos), dá um jeito nesse cabelo, coloca um perfuminho gostoso (pode ser o que seu amor comprou no Boticário, sem preconceitos…), se for menina e gostar de maquiagem, passa um make no rosto e dê a você mesmo um sorriso no rosto. Aposto que seu dia vai ser melhor sem esse pijama que não aguenta mais estar no seu corpo! 😉

Ah, isso não quer dizer que eu não defenda os dias do pijama. Defendo e tenho até minhas roupas de ficar em casa (que, diga-se de passagem, tem mais do que de sair). Mas acho importante a gente se sentir bem com nosso corpinho esclerosado. Acho que quando eu estou muito bem, nem preciso de muita coisa pra me sentir bonitona. Fico linda até de camisolão. Mas quando eu tô mal, aí sim é que eu preciso desses artifícios, desses acessórios pra não me sentir pior ainda.

A missão cabelo já está cumprida. Cada vez que me olho no espelho gosto mais ainda do meu corte de cabelo… meio bagunçado, meio despenteado…assim como a vida. Lindo! Agora só falta a missão esmalte nas unhas… há meses que eu não consigo pintar as unhas. Vou fazendo as unhas à prestação (porque a motricidade fina dura só alguns minutos) e acabo não pintando nunca. Mas está decidido, desse final de semana não passa. Sempre gostei de andar com as unhas pintadas. Não é agora uma fadiga que vai me fazer ficar desleixada. 

Até mais!

Bjs

 

p.s.1: se alguém perguntar porque eu não vou num salão fazer unhas e cabelo toda semana, eu dou duas respostas: 1. Detesto marcar, ir, ficar em salão! 2. Meu bolso não aprova essa atitude.

p.s..2: quer ver o novo corte? Entra no meu post dessa semana no Esclerose Múltipla e Eu