De BH diretamente para o Sul de Minas

Eu me mudei de uma cidade de quase 2 milhões de habitantes para uma cidade de 30 mil pessoas. Sair da capital depois de morar 13 anos nela tem seus desafios, porém sentando pra escrever sobre esse assunto, tirando a parte de ficar distante dos meus amigos, parece bobo falar que agora aqui não tem comida tailandesa pra pedir pelo ifood às 5h da manhã. Na minha cidade não existe trânsito, não existe falta de lugar pra parar o carro, se tenho um compromisso às 9h posso sair tranquilamente da minha casa às 8h58 que chegarei no horário. Outro dia era uma sexta-feira e eu me lembrei que esse dia da semana eu gostava de ir teatro em Belo Horizonte, porém nessa mesma sexta-feira eu estive na casa de uma senhora de aproximadamente 90 anos que vende quitandas feitas cuidadosamente por ela. Quando vi aquela cena dela abrindo as latas de biscoito e me oferecendo para experimentar eu pensei: puxa, é isso. Fiquei emocionada. Uma parte minha acha estranho quando algumas pessoas me conhecem sem que eu as conheça “ah você é a Olga né… esposa do Fabrício” eu faço uma cara esquisita, porque acho um rótulo machista, mas logo, logo já estou fazendo piada com isso. Aqui também tem uma feirinha de produtos orgânicos aos domingos (o pé de alface custa R$0,50 e o cacho de banana R$2,00 ) é uma delícia observar as pessoas e provar seu caldo de cana e pastel. Outra coisa que me chama atenção é que por ser um lugar pequeno as pessoas conseguem demonstrar mais sua generosidade e presteza: é minha sogra que traz uma marmitinha com bolo e salgado, é a moça do salão que me atende às 6h da manhã quando preciso. Garanto que esse não é um post publicitário da cidade de Campos Gerais (tenho algumas críticas à cidade também: aqui quase não tem árvore e a parte cultural deixa muito a desejar), mas quero dizer que estou muito surpresa por estar curtindo a beça viver essa experiência de morar no interior.

Olga Durães