COMO FOI SER DIAGNOSTICADA APÓS OS 50 ANOS

Eu com esclerose múltipla sou um “caldeirão” de emoções, trabalho, alegria, planos, vontades, sonhos … Imagine sem.
Pois é, eu era isso aí e mais algumas coisas.
No auge da vida madura, filhos livres para voarem, só eu e meu veinho em casa, um novo projeto de trabalho mais leve e muitos planos para vivenciar após anos de muito trabalho duro, sem tempo pra nada. Num piscar de olhos a minha vida vira do avesso com a chegada da Esclerose Múltipla, apesar dela já ter dado seus sinais ao longo dos anos, nada tão sério para se importar, até que a neurite óptica
chegou de maneira evidente. De um novo apartamento para montar e gerenciar o novo projeto de vida a dois em curso, tudo se transformou em idas aos médicos, muito choro, angustia, incertezas, medo, depressão e negação de que aquilo era real, que eu iria ficar cada dia pior, o único pensamento diário. Me tranquei num quarto sem querer levantar, atender telefone… na realidade eu não entendia como seria minha vida dali pra frente.
Será que eu ainda iria conseguir brincar com minha netinha, iria ver minha filha casar, iria viajar, iria trabalhar???
As mesmas perguntas que uma pessoa jovem, como entendo hoje, faria em relação ao seu futuro.
Aos poucos fui digerindo cada novidade, cada novo exame, cada nova ressonância, cada novo surto, fui conhecendo meu corpo e reconhecendo que eu iria no mínimo sobreviver. Quando me fortaleci na fé, na segurança médica, nas possibilidades de retomar minha autonomia (nunca esqueço a alegria de voltar a tomar banho sozinha), dirigir, pegar ônibus, andar pelas ruas (mesmo parando aqui acolá por causa dos espasmos), tomar vinho, pegar minha neta no colo, sair com meu veinho (mesmo de bengala),fazer amor, fazer pilates, cozinhar, faxinar, enfim o melhor de tudo TRABALHAR e VIAJAR. Carrego meu Rebif 44 pra todos os lados do mundo.
O envolvimento com a causa EM me trouxe a verdadeira conscientização, se não aceitamos nossa patologia, como seremos capazes de acolher uma pessoa recém diagnosticada?
A terapia me ajudou muito, mas a conclusão de toda minha evolução para melhorar a cada dia, foi a de que eu nunca perdi minha essência, minha alegria, minha esperança, minha vontade de viver esses anos que ainda tenho a minha frente, apesar de ter 60 anos ainda tenho muito o que aprender com jovens EMs que me dão lição de maturidade todos os dias.

Suzana
Segunda feira de carnaval 2019