A importância de ter apoio

Há pouco tempo, em conversa com uma amiga disse-lhe:

“Às vezes as pessoas pensam que eu tenho algum milagre para estar como estou mas, não tenho.”

E a resposta sábia dela:

“As pessoas vêm o teu sorriso mas não viram as tuas lágrimas e o que elas querem é sorrir quando estão em lágrimas.”

Pois é… por vezes temos de olhar o que aconteceu lá atrás para perceber como o hoje faz todo o sentido.

Há uns anos atrás o meu marido chegou a dizer-me inúmeras vezes:

 “As tuas dores de cabeça, o teu cansaço não são normais. Vai ao médico.”

E de todas as vezes que ele dizia isto, eu ignorava.

Até que chegou o momento em que a EM decidiu dar sinal de vida a sério com a dormência em todo o lado esquerdo e a falta de sensibilidade.

Nesta altura, eu e o Filipe estávamos sozinhos com a nossa filha de 2 anos, longe de toda a família.

Posso dizer que foram tempos bastante difíceis.

Num grito de socorro pedi ajuda aos meus pais.

Afinal de contas tinha uma filha com 2 anos que precisava de muita atenção e eu não conseguia dar.

Recordo-me de… um dia ter ficado atrás da porta a ouvir o meu marido a falar com os meus pais.

“Peço-vos que tomem conta da vossa filha e da vossa neta porque eu vou ter de trabalhar por dois e por mais que queira não a consigo ajudar”.

Esta frase ainda hoje me dói.

Na altura pensei que ele estava a abandonar o barco mas estava tão enganada.

Com o tempo percebi que aquele Homem, com H bem Grande, estava a segurar o leme com toda a sua força para atravessar uma das mais difíceis tempestades que ia ocorrer nas nossas vidas.

Nós quando recebemos o diagnóstico queremos que as pessoas façam as coisas de uma determinada forma e achamos que naquele momento nós somos o centro do mundo pois, a nossa dor é maior do que a dor dos outros mas… estamos enganados. Os que estão ao nosso lado e nos amam também sofrem sabiam?

Confesso que quando recebi o diagnóstico perdi a vontade de viver.

Porém, o Filipe não aceitou e foram inúmeras as vezes em que cerrou as mãos, bateu na mesa e disse “Levanta-te. Estás viva não estás? Agradece a Deus e reage!” e saía a correr porta fora.

Hoje sei que ele saía a correr porque estava em lágrimas e não aguentava ver-me a desistir de viver.

Hoje agradeço-lhe por todas as vezes em que não se calou e obrigou-me a lutar.

Foram tantas as noites, e ainda são, em que partilhávamos os nossos medos e nos uníamos cada vez mais.

Foi ele que me obrigou a procurar uma nutricionista para tomar conta da minha alimentação e incentivou-me a ir para o ginásio.

Hoje eu agradeço-lhe por exatamente tudo.

E aos poucos voltei a sorrir.