A EM apareceu em minha vida como um piscar de olhos em agosto de 2016

Por Tati Abrahão

 

Passado o primeiro impacto (o choque pra ser mais sincera), 2 foram as perguntas: “Vou morrer disso?” Resposta: “Não. “. “Posso ter filho?” Resposta : “Sim”.

Então beleza, estava pronta pra enfrentar. E assim segui…

Já contava 34 anos e ter um filho a cada dia se tornava mais urgente. “Tô ficando velha”, pensava eu.

No entanto, meu médico foi categórico: “Precisava estabilizar a EM.”

Pois bem, mudei completamente a minha alimentação, comecei a fazer atividade física regularmente, segui direitinho o tratamento escolhido e ao estabilizar as lesões foi o momento de traçar uma estratégia quanto ao medicamento.

E a três (eu, meu marido e meu Neuro) definimos que aquele era o momento, deveria mudar o medicamento para um que fosse seguro tomar durante a gestação.

Em muitos casos, recomenda-se a interrupção do medicamento para tentar engravidar, no entanto, no meu caso não, pois a neurite óptica me deixou com uma sequela, perdi a visão do meu olho direito. Então deveríamos seguir o caminho que menos me expusesse à possibilidade de novo surto.

Depois de alguns percalços, pois tive uma gestação que não foi pra frente (que nada teve relação com a EM) e de brinde ganhei uma pulsoterapia no meio do caminho para o nosso sonho, em 28/03/2018 veio o tão sonhado positivo e a sua continuidade.

Nosso Lucca estava vindo!

Foram meses muito tranquilos com relação à esclerose, a grande maioria das mulheres tem esse como um período de extrema calmaria da doença. Por mais que o nosso corpo seja meio destrambelhadinho, a natureza é sabia. Nessa fase o sistema imunológico está voltado para o bebê e assim os anticorpos esquecem do nosso SNC e ficamos de boa! ✌🏻

Durante a gestação fiquei bem preocupada com o pós parto, pois é uma fase oposta, em que se aumenta consideravelmente as chances de um surto. Como diz O Rappa é tipo o “silêncio que precede o esporro”.

Tentei manter a minha alimentação regrada, o que foi beeeem difícil porque ô fase pra dar fome e vontade de comer tudo o que já nem me lembrava que existia, segui direitinho a prescrição médica e pedia muito a Deus que desse tudo certo, pois queria muito me dedicar ao meu bebezinho e queria muito amamentá-lo.

E assim passaram-se 39 semanas e o tão esperado dia chegou. Lucca nasceu super bem, tenho conseguido amamentá-lo exclusivamente no seio, aparentemente a EM está quietinha e tenho conseguido cuidar do meu bebezinho.

E assim vou seguindo sempre, agora com muitos mais motivos pra me superar a cada dia!

Não deixem o sonho para trás, conversem com seu parceiro e com o neurologista,  a maternidade é uma realidade mesmo após o diagnóstico.

Feliz dia das mães!