Estudo holandês encontra relação entre dieta saudável ligada a melhor qualidade de vida física e mental em pessoas com EM

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O questionário aos participantes do estudo que convivem com Esclerose Múltipla também se atentou a dieta saudável específicas, como sem glúten, Paleo e ricas em fibras

 

Uma dieta saudável levou a uma melhor qualidade de vida física e mental em adultos holandeses com esclerose múltipla (EM), especialmente mulheres, descobriu um grande estudo.

Quantidades substanciais de vegetais, frutas, fibras e gorduras saudáveis ​​foram associadas a uma saúde geral melhor nessas pessoas com esclerose múltipla, relataram os cientistas.

O estudo, “A adesão às diretrizes de dieta está associada a uma melhor qualidade de vida física e mental: resultados de uma pesquisa transversal entre 728 pacientes holandeses com EM”, foi publicado na revista Nutritional Neuroscience.

Um número crescente de estudos sugere que a adoção de uma dieta saudável pode diminuir o risco de desenvolver EM ou sua progressão. Embora haja uma grande variedade de livros de receitas relacionados à esclerose múltipla e conselhos de alimentação online, a maioria se baseia em experiências individuais e não foram testadas de forma adequada.

As informações comparando a qualidade de vida de pessoas que seguem dietas específicas com aquelas que não o fazem também são limitadas, e a maioria dos estudos dietéticos em EM foram realizados nos EUA.

Dadas essas limitações, pesquisadores da Universidade de Wageningen, na Holanda, elaboraram um estudo para investigar a associação entre dieta e qualidade de vida em um grande grupo de adultos holandeses com esclerose múltipla e para avaliar dietas específicas para esclerose múltipla.

Uma pesquisa online coletou dados. A qualidade da dieta foi avaliada com o índice de dieta saudável holandês (DHD-Index), uma pontuação de qualidade que incluiu oito componentes da dieta: vegetais, frutas, fibras, peixes, gordura saturada, gordura trans, sal e álcool. Para cada componente, a pontuação variou entre zero e 10, com pontuação total entre zero (sem adesão) e 80 (adesão completa). A baixa ingestão de gorduras, sal ou álcool foi considerada alta adesão.

Os participantes também foram questionados se eles seguiram uma dieta específica ou mudaram sua dieta para controlar a EM. As opções de dieta específicas incluem dieta pobre em carboidratos, dieta rica em carboidratos, dieta rica em fibras, dieta sem glúten, dieta sem açúcar, dieta vegana, dieta vegetariana, dieta Atkins (também conhecida como dieta da proteína), dieta Jelinek (dieta para superar a EM) e dieta Paleo.

A qualidade de vida foi medida usando o questionário MS Quality of Life-54 (MSQoL-54), que gerou um valor composto de saúde física (PHCS) e um valor composto de saúde mental (MHCS), ambos variando de 0 a 100.

Os participantes incluíram 623 mulheres (idade média, 45) e 105 homens (idade média, 53). A maioria em ambos os grupos tinha um peso corporal saudável, com base na gordura corporal medida pelo índice de massa corporal (IMC), e mais de 80% eram não fumantes. Um em cada cinco participantes seguia as diretrizes de atividade física de 30 minutos por dia, durante cinco dias por semana. Mais frequentemente os homens foram diagnosticados com EM progressiva, enquanto as mulheres tinham EM recorrente-remitente.

A análise revelou que as mulheres tinham um índice DHD geral de 57,9, o que era 2,9 pontos a mais do que a pontuação de 55,0 para homens sob este índice de dieta saudável holandês. Isso se deveu principalmente a pontuações mais altas para o consumo de vegetais e fibras e uso de sal, “significando uma ingestão maior ou mais frequente de vegetais e fibras e uma ingestão menor de sal”, escreveram os pesquisadores.

Diferenças significativas entre as pontuações do índice DHD baixo, médio e alto entre homens e mulheres foram evidentes, especialmente para vegetais, frutas, peixes e gordura saturada. A equipe observou uma ingestão menor de gordura trans e álcool em todos os participantes.

As mulheres com as pontuações do Índice DHD mais altas tinham um maior nível de educação, um IMC normal, não fumavam e cumpriam as diretrizes de atividade física com mais frequência do que as pessoas com as pontuações mais baixas. Não foram encontradas diferenças para idade e tipo de EM.

A avaliação da qualidade de vida para o bem-estar geral encontrou uma pontuação de 6,8 em 10 nos homens e 7,0 nas mulheres. As pontuações de saúde mental foram maiores do que as pontuações de saúde física tanto para homens (67,2 vs. 53,8) quanto para mulheres (69,0 vs. 56,6). As diferenças entre homens e mulheres não foram significativas.

Uma análise estatística indicou que uma pontuação mais alta no índice DHD prediz significativamente uma melhor qualidade de vida física e mental em mulheres, o que permaneceu significativo após o ajuste para idade, nível de escolaridade, atividade física, tabagismo e IMC. Uma tendência não significativa, mas semelhante, foi observada em homens, que enfraqueceu após o ajuste para esses mesmos fatores.

Mais de um terço dos entrevistados indicou seguir uma dieta específica, que na maioria das vezes era restrita em carboidratos. As pessoas que seguiram dietas tiveram um índice de DHD sete pontos mais alto em comparação com aquelas que não o fizeram. Os participantes que seguiram uma dieta alimentar eram mais frequentemente mulheres e não fumantes, com ensino superior e estilos de vida mais ativos fisicamente.

A dieta Jelinek, projetada para pessoas com EM, é uma dieta vegana com frutos do mar, que exclui gordura saturada, alimentos processados, laticínios, ovos e carnes. Essa dieta foi mencionada por menos de 5% dos participantes, mas aqueles que a seguiram tiveram uma pontuação no índice DHD 10 pontos maior do que aqueles que não seguiram uma dieta específica.

As maiores pontuações de qualidade de vida em saúde mental foram observadas em entrevistadas que seguiram uma dieta rica em fibras, enquanto aquelas que seguiram uma dieta vegetariana tiveram as maiores pontuações de qualidade de vida física.

“Nossas descobertas nesta amostra da população holandesa de pessoas com esclerose múltipla confirmam as de um [estudo] internacional, no qual dietas caracterizadas por grandes quantidades de vegetais, frutas, [fibras] e gorduras saudáveis foram associadas a uma melhor saúde física e mental”, escreveram os investigadores.

“Estudos longitudinais e ensaios clínicos randomizados são necessários para testar se iniciar uma dieta para EM ou tomar medidas para melhor aderir às recomendações de alimentação gerais melhora a qualidade de vida e reduz a atividade e retarda a progressão da condição”, acrescentaram.

Os resultados do estudo também apóiam o crescente interesse científico em “como a dieta influencia o funcionamento do cérebro por meio do microbioma intestinal”, observou a equipe de pesquisa.

 

Fonte: MS News Today

Tradução e adaptação: Redação AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose

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