Desobedecer

Hello people!

Como estão vocês neste ano novo? Espero que bem, de saúde, de planos, de amores e de sucesso.

Por aqui, pouca coisa mudou. Estou novamente “curtindo” um surtinho, de castigo no hospital fazendo umas sessões de pulsoterapia. Nada de mais, surto leve dessa vez, mas sempre chato, desagradável, desconfortável. Ficar longe de casa é sempre ruim,mesmo tendo uma “folga” das crianças e suas estripulias, gritaria e brigas, sinto falta delas, como se tivessem me cortado um braço. Difícil se adaptar, sofrido. O calor também não tem dado tréguas e me judia bastante.

Mas de um modo geral eu estou bem. Dormência nos dois braços, com acréscimo de dor neuropática no direito e perna direita também dormente, mas nada muito assustador para quem á esta acostumada.

O que é realmente desagradável, são os acontecimentos ao redor. Noite passada perdemos uma colega de quarto, tia de uma amiga, vitimada por um câncer. Não foi nada agradável acompanhar durante todo o dia seu estado agonizante, o mal estar dos parentes em suas despedidas, o cuidado e carinho da neta que lhe pintou as unhas, fez sobrancelhas, acariciou e massageou suas pernas com um creme cheiroso, pôs-lhe batom. É triste e ao mesmo tempo comovente esse amor em seus últimos momentos. Por fim, ela faleceu na madrugada, quase ao mesmo tempo que a irmã de outra amiga que estava na emergência por complicações com o lúpus.

Essa proximidade com a morte quando estamos fragilizados pela doença (por mais leve que seja), nos mostra claramente como a vida é um fio tênue e que mesmo que cuidemos desse fio com todo cuidado, uma leve brisa pode arrebentá-lo.

Essa sensação, por vezes deprime, mas também nos causa uma urgência, uma necessidade de viver tudo o que for possível, agora. Esse tempo de inércia no hospital, também contribui para esses planos irem brotando na nossa cabeça e no nosso coração. Não dá pra esperar pra amanhã, principalmente nós, que nos sabemos multiplamente esclerosados, companheiros dessa doença que não tem prognóstico definido, muito menos evolução previsível. Amanhã pode ser tarde demais para algumas coisas.

Enfim, comecei o ano muito reflexiva. Mas também tenho coisas boas pra contar. Nessa mesma linha de pensamento, de mudanças de atitudes e direcionamento de vida, iniciei ainda no ano passado algumas mudanças importantes.

Em junho, abandonei o cigarro, meu companheiro por mais de 30 anos. Foi MUITO difícil, mas aconteceu. Em dezembro, abandonei outro vício arraigado: o refrigerante e acho que foi ainda mais difícil que o cigarro. Também reduzi drasticamente o consumo de açúcares e carboidratos. Como não estou podendo me exercitar muito, o efeito disso na balança foi pouco, 7kg apenas dos mais de 20 que preciso perder, mas é um começo e minhas taxas de glicose agradeceram profundamente.

Já disse aqui que sou muito teimosa, esse é um traço da minha personalidade que é muito difícil de mudar, mas estou conseguindo fazer ele trabalhar ao meu favor. Não adianta ninguém me dizer o que eu tenho que fazer,porque mesmo que eu esteja pronta para fazê-lo, certamente deixarei de fazer porque fui “mandada”. Nomomento que consegui convencer meu marido e pessoas próximas largarem do meu pé, foi natural eu me decidir por essas pequenas mudanças, necessárias à minha saúde porque estética não me interessa muito.

Então, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. O saldo do início do ano, apesar dos percalços, está sendo positivo. E prevejo mais coisas boas este ano. Uma outra característica de minha personalidade é ser uma otimista incorrigível, não importa o tamanho da M* que está em volta, tô sempre mirando naquela pedrinha que dá pra pisar e sair do atoleiro. Posso até custar a saltar, mas sei por onde ir.

Ano novo é sempre começo de ciclo, mas todo recomeço parte de um fim. É preciso encerrar processos, mudar rotas, para que o novo ciclo seja realmente novo.

E vocês, já ajustaram as velas?