Aprendendo a ser paciente

Oi queridos, tudo bem com vocês?

Por aqui tudo certo. Estou há alguns dias querendo falar de um tema que, talvez vocês já estejam cansados de ler. Mas justamente por ser importante é que a gente fala tanto: relação médico-paciente. Nossa amiga Fabi escreveu há alguns dias sobre isso inspirada em um estudo que diz que quando a relação médico-paciente é boa, o tratamento é mais eficaz.

Não há dúvidas disso! E a gente vai mudando de médico até achar um para chamar de nosso!

 Mas o que eu me pergunto sempre que vou à consulta é: eu sou uma boa paciente?

Ser um bom paciente parece simples: converso com a médica, decidimos o que é melhor a fazer, vou pra casa, tomo os remédios e volto no mês que vem. Mas a coisa é mais complicada que isso. Ser um bom paciente implica conhecer seu corpo e todas as mudanças dele nesse um mês (ou dois, ou três) em que você não viu o médico, para poder relatar tudo e permitir assim, que ele seja um bom médico.

Talvez a coisa fique mais clara com o exemplo aqui de casa. O Jota demorou a ter um diagnóstico porque quando foi a um angiologista reclamar do formigamento nas mãos, este o mandou pra um neuro, que só escutou sobre o formigamento, e não sobre o desequilíbrio e a dificuldade de andar, porque ele achava que não tinha nada a ver uma coisa com a outra. Talvez ele tivesse o diagnóstico em 2010 e não em 2012, se tivesse falado tudo o que sentia. Acontece que o nosso corpo é um só e está todo interligado, então, tudo importa na hora de um diagnóstico. Até a unha encravada do mindinho do pé importa. Ela é um processo inflamatório no corpo, logo, afeta o sistema imunológico, não?

Um exemplo mais claro das implicações de ser um bom paciente: Há duas semanas eu e o Jota tínhamos consulta com nossa neuro. Na noite anterior comecei a fazer a listinha das coisas que eu tinha que falar pra ela. Começava pela sinusite, que foi atacada com dois tipos de antibióticos porque descobri que tinha alergia a um. A queda de imunidade causada pelos antibióticos me rendeu uma infecção por fungos, que já estava sendo tratada no dia da consulta e, além disso tudo, eu tinha passado por uma situação de forte estresse e estava sentindo choques no braço direito. Quando o Jota olhou a minha lista, perguntou: mas você vai dizer tudo isso? Até da sinusite? Claro que vou! Ela precisa saber o que eu tive, o que tomei e o que deixei de tomar.

Pois bem, na minha consulta contei tudo a ela e chegamos a conclusão de que sim, eu estava tendo um surto com sintomas bem claros. Mas, devido a todo aquele histórico de perebas do mês, eu não poderia fazer pulso agora pra tratar. Quando eu perguntei o que aconteceria se eu fizesse, ela perguntou se o Jota tinha um terno preto pra usar… eheheheh. Brincadeiras à parte, se eu não contasse tudo, ela me mandaria pra pulso, eu ficaria dez vezes mais doente e não teria o que se fazer pra reverter o quadro.

Aí o Jota se assustou e contou tudo o que ele tinha dito que não era importante também… ehehhehe.

Eu não expus meu prontuário do mês passado à toa. Mas pra dizer que nós temos que aprender a ser pacientes conscientes que somos responsáveis pelos nossos tratamentos. Já imaginou, se eu fizesse pulso e tivesse um treco? Iam dizer que a médica era ruim. Mas na verdade eu é que estava “escondendo” coisas por achar desimportante.

Eu sou da seguinte opinião: vou contar tuuuuudo. Aí a Dra. Avalia o que é importante dessa história toda e o que não é.

Vocês nunca viram House? Aquela série de TV dum médico que descobre as doenças que ninguém descobre? Então, em praticamente todos os episódios os médicos só não descobrem antes o que tá matando a pessoa porque faltou passar toda a informação ao médico. Sim, eu sei que é ficção, mas é mais ou menos o que acontece todos os dias nos consultórios.

Aprender a ser paciente não é aprender a ter calma, mas aprender a ser cuidado pelo médico. E ele só pode cuidar da gente se a gente permitir que ele nos conheça. Eu aprendi a ser paciente com meu primeiro neuro. Como eu chegava pra consulta e fazia uma miscelânea de informações e só lembrava das coisas quando ele perguntava, ele disse pra eu fazer um diário do meu corpo. Não, não era pra escrever "querido diário, hoje…". Mas qualquer coisa que sentisse de diferente era pra eu anotar. Isso me ajudou a ver o quanto tudo estava ligado. E é por isso que eu conto tudo, inclusive os chás que tomei porque alguém disse que era bom pra dor de cabeça, os tratamentos alternativos…tudo!

A verdade é que a gente não aprende a ser um bom paciente só porque teve o diagnóstico de uma doença. Mas quanto melhor a gente se conhece para se descrever ao médico, melhor estamos cuidando de nós mesmos. 

Até a próxima!