Acessível, mas sem acesso!

Olá queridos! Hoje quero falar um pouco sobre Acessibilidade. Mas vou falar sobre aquilo que vivencio diariamente. Me perdoem o fato de falar sobre mim, mas é dessa forma e com a ajuda do pessoal aqui da AME, que estou aprendendo, aos poucos, lutar pelos meus direitos e através da minha luta, ajudar a coletividade. Eu fico muito em casa, quase não saio pra lugar nenhum então meu mundo e minha visão dele é ainda muito limitada, restrita ao que gira em redor do meu umbigo, mas estamos trabalhando nisso.

Segundo a Wikipédia, Acessibilidade consiste na possibilidade de acesso a um lugar ou conjunto de lugares. Significa não apenas permitir que pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluem o uso de produtos, serviços e informação, mas a inclusão e extensão do uso destes por todas as parcelas presentes em uma determinada população, visando sua adaptação e locomoção, eliminando as barreiras.

De acordo com essa definição digo que aqui na cidade onde vivo, Cachoeira do Sul, é praticamente impossível para um deficiente se mover com autonomia (Autonomia: independência, liberdade ou autossuficiência), acessar qualquer lugar que seja.

E não estou falando da mobilidade dentro de prédios públicos, esses em sua maioria já adaptados, mas em chegar até eles.

Eu tenho mobilidade reduzida, “tornozelos de gelatina”, mas caminho sem auxílio. Ainda assim passo trabalho. Basta um pequeno desnível na calçada para torcer o pé. Nossas ruas e calçadas são tão esburacadas, que numa caminhada simples, torço o pé umas 20 vezes. Já tive torções sérias, com lesão de ligamento, mas nunca me quebrei por andar devagar e “com o nariz arrastando no chão”, cuidando onde piso. Mas imagino um cadeirante, que possua uma cadeira simples, não motorizada, ou um deficiente visual que use uma bengala para se guiar tentando dar um mero passeio: impossível!

Penso que de nada adianta termos prédios modernos e adaptados à necessidade de todos, se é impossível chegar até eles. Prova disso que, acreditem, nunca vi um cadeirante nas ruas da cidade. Só se vê cadeiras motorizadas. De nada adianta as grandes empresas designarem vagas para deficientes, se eles não tem autonomia para irem trabalhar. De nada adianta o fórum/defensoria pública localizarem-se num prédio novo e acessível, se para chegar até ele é preciso atravessar uma cidade inteira de obstáculos.

Sei que Cachoeira não é exceção, infelizmente. Nossos municípios não estão preparados para atender a população, negando àqueles que tem alguma dificuldade o direito básico do ser humano, o de ir e vir.

A briga agora é mudar essa situação, cada um no seu bairro, depois na sua cidade, até que um dia possamos todos andar livremente, sem ter que depender tanto dos outros. Que assim seja!

Abraços.