MATURIDADE EMOCIONAL NA ESCLEROSE MULTIPLA

Olá meus queridos, vocês já devem ter ouvido falar muito da relação que o estresse tem em nossas vidas e que esse faz parte do nosso dia a dia.

 Mas qual é o impacto dele na nossa vida com esclerose múltipla?

Quando estamos investigando um diagnostico e nos sentindo muito inseguros, com medos e ansiedades, a carga emocional fica super pesada e vivemos em completo estresse, percebemos que tudo que estamos sentindo, piora duas vezes mais.

Então, finalmente recebemos o diagnostico e junto ao sentimento de alivio temos ainda mais medos e inseguranças, que geram muito estresse e não conseguimos enxergar a situação com clareza.

Enfim, começamos a relaxar quando procuramos ajuda medica e ficamos sabendo de muitos medicamentos que estão sendo utilizados para controlar a EM. Então, iniciamos o nosso tratamento, sabendo que cada pessoa responde de forma diferente o mesmo tratamento e temos que assinar o termo de ciência dos terríveis prováveis efeitos colaterais e aquele medo que tínhamos, vira um perfeito terror, e o estresse chega ao nível que começamos a perder a consciência do que realmente esta acontecendo e o que podemos estar imaginando.

Bem, quando acreditamos que aquele temporal passou, já estamos fazendo tudo direitinho e vai ficar tudo bem, começamos a tomar consciência e a sentir no corpo que o que aconteceu ficou, os surtos deixaram cicatrizes e também percebemos que a EM não é só isso, são todos esses sintomas que cada um de nos sentimos, uns mais acentuados, outros menos. Nos tocamos que realmente a EM é uma doença grave e que precisamos aprender a respeita-la como tal, não a subestimando e tratando como a devemos trata-la. E onde o estresse chega no topo, percebemos as nossas perdas e nossos limites no auge da nossa idade jovem.

É quando devemos aceita-la, como disse nesse post http://www.amigosmultiplos.org.br/post/361/aceita-que-doi-menos e começar a nos conhecer por inteiro, prestando muita atenção a cada sinal do seu corpo e deixando todos aqueles sentimentos de lado, traumas, medos, inseguranças. Eu sei que é muito difícil, mas temos que fazer o maximo para amenizar o nosso lado emocional que influencia demais no nosso bem estar com a EM, em melhoras e pioras. Bem, no inicio da minha historia com a EM, tive dois surtos na vista esquerda, neurite óptica que fiquei por 6 meses sem enxergar direito. Depois que fiz pulsoterapia com ciclofosfamida voltou ao normal graças a Deus, mas por conta do pavor de ocorrer novamente esse episodio, nessa época, acordei com o olho pulsando e comecei a ficar desesperada. Tinha certeza que estava em surto, fiquei tão nervosa, que parei de enxergar, não conseguia caminhar, andei perambulando até o carro, que o Baby teve que me segurar. Na hora que contei ao meu doutorzinho, ele me mandou para São Paulo imediatamente e fui. La me examinou e disse que era tudo da minha mente, o medo me fez sentir tudo aquilo, é o poder do cérebro, que pode nos ajudar e pode nos prejudicar, depende de nos.

Com toda essa experiência que passamos com a EM a gente vai aprendendo a conviver e nos preocupar na hora certa. Conseguindo assim controlar um pouco o nosso estresse, não deixando nos abater tanto. Vamos nos tornando mais maduros e parece que conseguimos segurar aquele nervoso que nos faz tão mal. O bicho ta pegando fogo, em segundos, você pensa, eu que vou ficar mau? Então, a mente aciona o botão de relax. Essa é a verdadeira maturidade emocional.

Porem não é tão simples assim, são alguns anos de convivência e terapia…rs

A esclerose múltipla é uma das doenças que tem a carga emocional mais pesada, temos que lidar com incertezas o tempo todo.

Depois, vocês podem observar, que em quase todos os relatos de pacientes com doenças graves, sem cura, se dizem mais maduros. Não perdem tempo com bobagem, não entram em luta pra não ganhar, não desperdiçam sua disposição e tempo. E o principal, vivem intensamente. Assim é a maturidade emocional, além de tudo.

Eu às vezes, me sinto como uma senhora de 80 anos, de tamanha experiência que ganhei nesses anos com a EM, com a determinação de uma mocinha de 20 e com a idade de quase 40. Madura até demais só com 39 anos. Porém, a maturidade emocional não tem nada a ver com idade. É uma questão de conquista.

Conquistar a calma na hora do nervoso, a paciência na hora da espera, a serenidade na preocupação, a tranquilidade da decisão, a sensatez no momento da escolha, a prudência na hora que necessitar.

Queridos, vou deixando vocês por aqui esperando que reflitam no assunto.

Mil beijinhos e até o próximo post.

"A maturidade me permite olhar

com menos ilusões, aceitar com

menos sofrimento, entender

com mais tranquilidade, querer

com mais doçura."

Lya Luft