EM e Paternidade (Parte X) – Um sonho…

Já até tinha pensando em outro tema para falar esse mês. Mas aconteceu algo que me deixou com vontade de escrever. De quinta para sexta tive um sonho com o Francisco. No sonho, o ensinava a pular e a cair na cama. Ele devia ser um pouco mais velho do que é agora; 2 anos completos ou quase 3. Ficava em pé no centro do colchão e eu o segurava de fora da cama.  Primeiro com os braços fechados, pulava e caia com as costas no colchão. Enquanto eu de pé segurava seus braços e lhe dava o impulso para pular. Depois, lhe incentivava a cair de costas com os braços abertos. Tudo isso acompanhado com aquela risada gostosa dele.

No sonho, eu estava de pé, não usava cadeira de rodas. Tinha equilíbrio para ficar nessa posição e força para segurar e impulsionar o Francisco. Dizem que você assume uma condição como identidade quando você sonha com ela. Eu já tive sonhos em que estava na cadeira de rodas, mas foi muito prazeroso me observar de pé. Foi bom ver que minha identidade não está colocada apenas em uma falta (a dificuldade de locomoção), mas em uma característica positiva: a paternidade e na possibilidade de divertir e me divertir com o Francisco.

Acordei bem e feliz. Mas um sonho é algo efêmero, fugidio, um momento. Passou! Distanciado daquele instante, eu só posso sentir algo perto daquela sensação por recordação, lendo-a depois novamente. Além disso, é algo muito  subjetivo e individual. Apenas eu pude ter essa experiência; os outros só podem ter acesso à narrativa, ao relato, dela. E, como dizia Raul Seixas, “sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade”.

Assim, resolvi conta-lo aqui para eternizá-lo e difundi-lo. Sem grandes objetivos ou reflexões, só queria fazer com que essa experiência não ficasse restrita apenas a um tempo e pessoa especifica…