EM à Mexicana

Esse dia foi quase como qualquer outro, acordei cedo pra visitar meu pai e meu irmão, saímos pra comer como sempre só que uma coisa foi diferente comecei a ter visão dupla, não conseguia entender o que estava acontecendo comigo, achava que podia ser cansaço, falta de sono… uma semana depois eu descobri a verdadeira razão.

Oi! Meu nome é Nadia, tenho 26 anos, sou mexicana e tenho esclerose múltipla faz 7 anos, hj quero contar minha história e como é ter EM no México.

O caminho pra o diagnóstico

Eu sempre falo que sou uma menina com um monte de sorte, minha irmã é médica então quando meus olhos começaram a ter vontade própria, ela ajudou a ter um diagnóstico correto rápido, mas aqui no México uma pessoa que como eu qualquer dia começa a ter visão dupla sem nenhuma razão aparente teria que visitar o IMSS (Instituto Mexicano del Seguro Social) que é a instituição de saúde pública aqui no México. Todos os mexicanos (e a família deles) que estiver trabalhando tem direito a ter. Aí toda atenção médica é de graça, até agora parece bom né? Só tem uma coisa, somos tantos mexicanos que agora os médicos e os hospitais são insuficientes então vc acorda um dia com visão dupla, lógico fica assustado, o dia vai passando e a coisa só piora, vc vai ao IMSS a urgências ou se vc tem paciência de santo espera pra ver o médico familiar, por o que aconteceu comigo e o que eu sei do IMSS vou tentar adivinhar o que aconteceria, ele fala que vc está com uma paralisia no olho mas ele não sabe porque, agora se o médico tem a precaução necessária ele recomenda fazer mais estudos, se não ele pode achar que é outra coisa, manda remédio e vc vai pra casa, se vc tem o primeiro tipo de médico vai precisar de um neurologista, aí vc vai pra o hospital pra marcar o neurologista é aqui onde vai começar uma prova de paciência, se vc tem sorte vai conseguir marcar em duas semanas, se não vc pode esperar mais de um mês pra ver o neuro, então ele vai precisar de uma tomografia (vcs amigos com esclerose sabem que isso não vai servir de nada mas é o protocolo médico) e aí, prova de paciência número 2, vc precisa esperar muito pra conseguir um exame desses, vamos imaginar um mês, vc volta com o neurologista lógico não tem nada, vc vai precisar de uma ressonância, prova de paciência número 3, quase acaba, a ultima prova, aí o neurologista vai descobrir que vc tem EM, então falando nesse caso a pessoa não teve muita sorte passaram mais ou menos 3 meses pra saber o que estava acontecendo. No meu caso passou só uma semana, como eu disse, sou uma menina com um monte de sorte. O seguinte na história eu não preciso imaginar, eu experimentei, por sorte nem tudo no México é tão demorado assim. Quando eu descobri que tinha EM o neurologista me deu remédio pra controlar o surto, depois eu precisei ir ao IMSS pra começar receber o tratamento, porque vcs sabem é muiiiiito caro, como eu já estava com um diagnóstico não demorou nada para eu ver o neurologista, e desde o primeiro dia eu recebo o tratamento gratuito.

Tratamento

Agora os tratamentos aqui no México não são desconhecidos pra vcs brasileiros mas podem ser um pouquinho antigos, por exemplo eu sei que vcs já tem medicamento oral que aqui no México ainda não está disponível para todos, os mais comuns são interferon, betaferon e acetato de glatirámero eu tomo interferon de 12mu e vivo aborrecida das injeções igual a muitos mexicanos, há muitas marcas de interferon e eu sempre escutei meu neurologista falar que não é bom trocar de marca o melhor é ficar com a mesma mas no IMSS não ligam, um mês vc fica com um, outro vc troca, pra o próximo vc fica com três diferentes e às vezes vc fica sem nada, o medicamento acaba e vc volta pra casa sem nada.

A coisas legais

Quando eu descobri que tenho EM estava muito triste, confusa e me sentindo muito sozinha, achava que era a única pessoa com EM no mundo até que eu achei uma associação de pessoas com EM. A primeira vez que eu fui adorei, amei falar com alguém que passou por as mesmas coisas que eu já passei, voltava cada semana e aí foi que encontrei meu sorriso de novo, conheci pessoas maravilhosas que até hoje pra mim são minha família. Quando eu consegui esquecer da tristeza e fiquei mais calma entendi que a EM não ia parar minha vida , fiz minha uma frase "Nunca te detengas" aprendi sobre a EM, aprendi como me cuidar, o que fazer pra ficar bem. A EM mudou minha vida, comecei a apreciar mais as coisas pequenas que sempre são as que me faz mais feliz. Esqueci da timidez e do medo pra não deixar passar nenhuma oportunidade, agora eu sei que posso aprender de qualquer situação, a EM tem me ensinado muito. O México é meu país e eu amo ser mexicana, não é um país perfeito como qualquer outro, mas tem muitas coisas boas, tem um monte de gente que se une pra ajudar outras pessoas, tem pessoas como minha querida Lourdes Ituarte, fundadora da AMEM uma das maiores associações de EM do país, uma pessoa com EM que não ficou paralisada pelo medo. Caros amigos com EM, não deixem a doença deter suas vidas nunca e convido vcs se unir pra lutar juntos.

Nadia Ordoñez Gutierrez

Obrigada Bruna por me convidar a escrever aqui no blog, ela também é uma pessoa maravilhosa. E obrigada Danielle (minha namorada) que ajudou pra eu não escrever um portunhol tão ruim rs.