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Por Olga Durães

 

A letra está um garrancho e a mão dói um pouco ao escrever em uma velocidade muito rápida, mas essa é a segunda carta que eu escrevo para Sarinha e não envio. Essa tem que ir. São duas páginas de assunto. Escrevo sobre um filme que assisti no final de semana, chamado Toillet que me marcou e que apesar de toda tosquice, o assunto abordado é tão importante: mulheres que moram na Índia e precisam andar 4km de madrugada para fazer suas necessidades porque suas casas não tem banheiro (sim, isso acontece em pleno século XXI e a história é baseada em um casal de verdade). Falo sobre uma conversa que tivemos pessoalmente e meu desejo de fazer uma nova graduação talvez em Serviço Social, talvez em Pedagogia. Estou na dúvida. E no último parágrafo tento evitar, mas não consigo deixar de falar sobre política e acabo usando uma frase que eu li no twitter de alguém que não me lembro agora: “chega desse papo de que no fundo a pessoa é boa. Ninguém tá tentando descobri o petróleo em você e nem cavar até o pré-sal. Tem que ser bom é no raso mesmo. Na beirinha, onde a gente molha os pés. No fundo a gente deixa a maldade, o egoísmo, a falta de compaixão. O que é bom a gente deixa emergir”.

No dia seguinte coloco a carta nos correios – antes que os assuntos esfriem e as palavras que escrevi não façam mais sentido. Desde que a gente resolveu se corresponder dessa maneira, percebo que há uma beleza e uma sensibilidade maior. Um cuidado, um carinho ao escolher palavras. “Perde-se” um tempo passando na agência dos correios (que hoje, por milagre, estava vazia), mas “ganha-se” em delicadezas. Desde dezembro eu e minha melhor amiga estamos nos correspondendo assim. É uma experiência que vai contra o fluxo da rapidez e da urgência e tem sido infinitamente interessante. Experimentem mandar cartas para as pessoas que você ama – elas aquecem o coração.

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