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USO DE BOTOX PARA PROBLEMAS URINÁRIOS NA EM

USO DE BOTOX PARA PROBLEMAS URINÁRIOS NA EM

 

Problemas da bexiga na esclerose múltipla são comuns, afetando aproximadamente 80% das pessoas. Eles também têm consequências médicas e psicológicas, pois podem causar infecções do trato urinário, problemas renais, isolamento social e uma diminuição da autoestima e qualidade de vida.

A boa notícia é que existem maneiras eficazes de gerenciar este sintoma angustiante e desconfortável da EM. Estas terapias incluem métodos tradicionais como intervenções de estilo de vida e medicamentos, bem como não tão tradicionais como injeções de Botox.

Antes de considerar o Botox como uma terapia para seus problemas de bexiga relacionados à EM, é sensato primeiro entender os conceitos básicos de como a bexiga funciona e como ela é afetada pela EM.

Função saudável da bexiga

Em uma pessoa saudável, a urina viaja dos rins para as bexigas através de dois tubos chamados ureteres. Uma vez que a bexiga está carregando a urina, ela se expande, provocando nervos para enviar sinais para a medula espinhal (que, em seguida, envia sinais para o cérebro) que a bexiga precisa esvaziar. Este processo é o que lhe dá a sensação de que você precisa urinar.

Então, depois de encontrar um banheiro, os nervos no cérebro transmitem sinais para a medula espinhal para iniciar o reflexo de micção. Durante este reflexo, o músculo da bexiga contrai para liberar a urina da bexiga. Ao mesmo tempo, seu músculo externo (esfíncter) relaxa para permitir que a urina flua para fora da bexiga, através da uretra e fora do corpo.

Disfunção da bexiga na esclerose múltipla

Na esclerose múltipla, as lesões bloqueiam a sinalização nervosa no cérebro e na medula espinhal que normalmente controlam o músculo da bexiga e o esfíncter. Isso pode levar a três problemas de bexiga diferentes:

– Problemas de armazenamento da bexiga

– Problemas de esvaziamento da bexiga

– Problemas combinados de armazenamento e esvaziamento da bexiga

1. Problemas de armazenamento da bexiga (bexiga hiperativa)

Em algumas pessoas com EM o músculo da bexiga pode contrair quando não é suposto também (quando a bexiga está com pouca urina ainda) fazendo você sentir como se precisasse urinar o tempo todo. Estes sintomas são referidos como urgência e frequência urinária. Você também pode notar que você está se levantando durante a noite para usar o banheiro, ou você pode experimentar uma perda constante de urina, chamada incontinência de urgência.

2. Problemas de Esvaziamento da Bexiga (Bexiga Sobrecarregada)

Em outros, o reflexo de micção é prejudicado para que a bexiga se expanda sem sinalizar para o cérebro e a medula espinhal que a pessoa precisa urinar. Isso pode levar a uma hesitação em iniciar a micção, ou uma perda descontrolada de urina chamada incontinência de transbordamento.

3. Problemas combinados de armazenamento e esvaziamento da bexiga

Ainda outras pessoas experimentam uma combinação dos dois tipos de problemas de bexiga. Neste caso, lesões da EM no cérebro e na medula espinhal causam uma diminuição da coordenação entre o músculo da bexiga e os músculos do esfíncter, fazendo com que ambos se contraiam ao mesmo tempo.

Isso atrapalha a bexiga causando uma urgência urinária, como uma vontade de urinar de repente, no entanto, há uma hesitação para começar a urinar e você acaba tendo perdas constantes de urina (incontinência).

Tratamentos tradicionais para bexiga hiperativa ou espástica na EM

Se você tem EM e está tendo sintomas de uma bexiga hiperativa o seu neurologista provavelmente irá recomendar primeiro intervenções de estilo de vida e uma medicação anticolinérgica e também que você vá a um urologista especialista em casos neurológicos.

Intervenções de estilo de vida comuns incluem limitar a cafeína e uso de álcool e evitar líquidos após o jantar e antes de deitar. Seu médico também pode recomendar o uso de almofadas absorventes ou um cateter preservativo para aliviar as preocupações de qualquer perda de urina durante o dia em público.

Medicamentos anticolinérgicos podem ser úteis na redução de sintomas de frequência urinária, urgência e incontinência, embora possam causar efeitos colaterais desagradáveis ​​como constipação, sonolência e secura da boca. Não se surpreenda se você tiver que tentar uma combinação de medicamentos antes de encontrar a medicação que funciona para você.

Botox pode ser o próximo passo se os medicamentos não funcionam

Se continuar a tendo problemas de esvaziamento da bexiga relacionados com a sua EM apesar dos medicamentos anticolinérgicos, o seu neurologista pode recomendar onabotulinumtoxina A (BOTOX). Um grande estudo em urologia europeu examinou os efeitos do Botox na redução da incontinência em pessoas com bexiga hiperativa de EM ou uma lesão medular. Os resultados do estudo descobriram que após 12 semanas, os participantes com EM que foram tratados com Botox tiveram incontinência urinária cerca de 1,5 vezes menos por dia do que os participantes com EM que foram tratados com uma injeção placebo.

O que esperar durante a injeção de Botox

Seu médico primeiro irá examinar o interior da sua bexiga usando um cistoscópio – um tubo fino com uma câmera no final. O médico irá então injetar o botox no músculo da bexiga em vários locais (cerca de 30), fazendo com que ele relaxe. Isso permite que a bexiga segure mais urina para o músculo não ficar contraindo o tempo todo, reduzindo assim os sintomas de urgência urinária, frequência e incontinência. Os dois efeitos colaterais mais comuns de BOTOX são: infecção do trato urinário e retenção de urina na bexiga. Para evitar que uma infecção da bexiga ocorra como resultado do procedimento, o médico provavelmente irá prescrever um antibiótico para tomar antes, durante e por alguns dias após o tratamento BOTOX. Também, devido ao risco de retenção urinária após o tratamento com Botox, o seu médico vai querer garantir que você está confortável realizando uma auto-cateterização antes de você passar pelo tratamento, pois este é um efeito bastante comum. De fato, no estudo clínico mencionado anteriormente, aproximadamente 30% dos participantes que não tinham sido previamente submetidos ao auto-cateterismo antes do Botox (e a maioria eram participantes com EM), precisavam de auto-cateterismo para retenção urinária após o tratamento com Botox.

O Botox traz em sua caixa o alerta para o seu potencial para causar graves, mesmo fatais efeitos colaterais como problemas de deglutição, fala ou respiração devido ao enfraquecimento dos músculos. A toxina botulínica também pode se espalhar para outras áreas do corpo e causar uma série de sintomas graves como fraqueza muscular generalizada ou problemas de visão. Embora raro, estes avisos enfatizam a importância de ter uma discussão cuidadosa e pensativa com o seu médico antes de sofrer Botox.

 

Leia a matéria original em VeryWell

Traduzido e adaptado por Redação AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose

Fonte: Very Well

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