Tratamentos precoces de alta eficácia podem ser melhores para eliminar a atividade da EM

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Começar o tratamento precoce com um medicamento de alta eficácia pode ajudar a evitar surtos, progressão da EM e novas lesões

 

O uso de terapias de alta eficácia como primeiro tratamento para pacientes com esclerose múltipla (EM) aumenta significativamente a probabilidade de não haver evidência de atividade da doença após um e dois anos, em comparação com o uso de terapias de eficácia moderara, de acordo com um estudo do mundo real com pacientes noruegueses.

No entanto, com cada tentativa adicional de tratamento, as chances eram menores de que as terapias de alta eficácia superassem as menos potentes.

“Nossas descobertas ilustram a importância de escolher o medicamento mais eficaz no momento do diagnóstico”, escreveram os pesquisadores.

O estudo, “O tratamento precoce de alta eficácia na esclerose múltipla é o melhor preditor de atividade futura da condição durante 1 e 2 anos em um registro de base populacional da Noruega”, foi publicado na revista Frontiers in Neurology.

Nos últimos anos, várias terapias modificadoras da doença (TMDs) foram desenvolvidas para tratar a EM, ajudando a controlar os sintomas de maneira eficaz e retardar a progressão da deficiência.

Algumas TMDs são mais eficazes em retardar a progressão – conhecidas como terapias de alta eficácia – mas apresentam um risco maior de efeitos colaterais graves, enquanto outras são consideradas TMDs de eficácia moderada, com menos efeitos colaterais e um perfil de segurança bem definido.

As diretrizes de tratamento atuais recomendam terapias de alta eficácia apenas para aqueles com doença altamente ativa, mas é incerto se iniciar TMDs altamente potentes em um estágio inicial da doença poderia fornecer maiores benefícios.

Uma ferramenta usada para medir a eficácia de uma terapia de EM é chamada de “nenhuma evidência de atividade da doença” (em inglês, no evidence of disease activity – NEDA), que é definida como nenhuma recaída dentro de um período de tempo definido, nenhuma evidência de progressão da deficiência e nenhuma lesão cerebral nova ou crescente nos exames de ressonância magnética.

Pesquisadores do Hospital Universitário de Oslo, na Noruega, conduziram um estudo no mundo real para determinar quantos pacientes noruegueses com EM alcançaram o NEDA após um e dois anos de tratamento com TMD e investigaram o impacto de sua TMD inicial em alcançar o NEDA.

Os dados clínicos e demográficos foram coletados do banco de dados BOT-MS, que contém os registros médicos de todos os pacientes com EM em dois condados noruegueses, bem como na capital, Oslo. A escala expandida de status de incapacidade (EDSS) foi usada para medir a deficiência.

Conheça a EDSS – Escala Expandida do Estado de Incapacidade e para que ela serve

Todos os participantes selecionados foram tratados por pelo menos 12 meses com TMDs de alta eficácia – que incluíam natalizumabe, fingolimod e alemtuzumabe – e/ou TMDs de eficácia moderada, como interferons, acetato de glatirâmero, teriflunomida e fumarato de dimetila.

O estudo envolveu 694 participantes, com idade média de início da doença de cerca de 30 anos e um total de 1.146 iniciações de terapia.

A análise revelou que, em pacientes que iniciaram com uma TMD de alta eficácia, 68% alcançaram o NEDA após um ano e 52,4% alcançaram o NEDA após dois anos. Em contraste, naqueles que começaram com uma TMD de eficácia moderada, 36% alcançaram NEDA em um ano e 19,4% em dois anos. O efeito das terapias de eficácia alta versus moderada para alcançar o NEDA foi altamente significativo em ambos os momentos.

Em comparação com as TMDs de eficácia moderada, a chance de atingir o NEDA em um ano foi 3,9 vezes maior com as TMDs de alta eficácia como primeiro medicamento e 4,6 vezes maior no segundo ano. Essas chances não foram afetadas por gênero, idade quando a terapia foi iniciada e o tempo desde o início da doença até o início do tratamento.

Menos pacientes alcançaram o NEDA com medicamentos de alta eficácia como uma segunda terapia do que como um primeiro tratamento, mas a diferença em comparação com as terapias de eficácia moderada ainda era significativa. Em contraste, não houve diferença entre TMDs de eficácia alta e moderada para um terceiro tratamento prescrito.

Os pacientes que alcançaram o NEDA com TMDs de alta eficácia eram geralmente mais jovens e tiveram um tempo mais curto desde o início até o diagnóstico de EM e até o início do tratamento. Esses resultados foram diferentes para aqueles em terapias de eficácia moderada. Além disso, alcançar o NEDA com uma TMD de alta eficácia como primeiro tratamento foi significativamente mais provável para pacientes com risco médio ou alto de atividade da doença.

Individualmente, as TMDs de alta eficácia natalizumabe e fingolimod foram significativamente mais propensos a atingir NEDA após um e dois anos como primeiro medicamento do que interferons ou acetato de glatirâmero. O número de participantes que receberam o alemtuzumabe foi pequeno e todos os que receberam este medicamento como segundo tratamento alcançaram o NEDA.

Em comparação com interferons e acetato de glatirâmero, o natalizumabe como primeiro medicamento tinha 7,4 vezes mais probabilidade de atingir o NEDA, o que era mais do que todas as outras terapias. As outras terapias de eficácia moderada como primeiro medicamento, teriflunomida e fumarato de dimetila, não tiveram melhores chances de alcançar o NEDA do que os interferons e o acetato de glatirâmero. Esses resultados permaneceram após o ajuste para gênero, idade no início do tratamento, tempo desde o início da doença até o tratamento e grupo de risco.

Finalmente, os participantes que receberam primeiro uma terapia de eficácia moderada eram mais propensos a interromper o tratamento do que aqueles em terapias de alta eficácia (65,2% vs. 29,2%), principalmente devido aos efeitos colaterais (45% vs. 14%). Os resultados foram os mesmos para a segunda terapia, mas não para a terceira terapia.

Alcançar o NEDA é significativamente mais provável em pacientes em terapias modificadoras de doença de alta eficácia do que em terapias de eficácia moderada, e a primeira escolha de tratamento é a mais importante”, concluíram os pesquisadores. “As terapias de eficácia moderada devem ser usadas com cautela na maioria dos pacientes com EM, a menos que o médico esteja confiante de que o paciente tem uma forma menos ativa de EM.”

“Há uma necessidade de atualizar as diretrizes do tratamento imunomodulador, garantindo uma terapia precoce e de alta eficácia para a maioria dos pacientes com diagnóstico de esclerose múltipla”, acrescentaram.

 

Fonte: MS News Today

Tradução e adaptação: Redação AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose

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