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Novos resultados sobre bactérias intestinais e EM

Novos resultados sobre bactérias intestinais e EM

Texto escrito pela Dra. Elisabeth Mari, Diretora de pesquisas biomédicas do National MS Society (EUA)

A última reunião do ECTRIMS foi um ótimo lugar para se conectar com os pesquisadores sobre o que é verdadeiramente emocionante na pesquisa de EM. Eu gostei especialmente de ouvir sobre uma área de investigação que está avançando rapidamente – a partir de observações iniciais em direção a tratamentos ou soluções para pessoas com EM. Pelo que ouvi esta semana, pesquisadores que estão olhando para o microbioma do intestino e seu papel no ataque imune da EM estão fazendo exatamente isso. 

Os médicos e pesquisadores Yan Wang, Lloyd Kasper e colegas da Dartmouth Medical School e Eastern Washington University construíram sobre um trabalho anterior, que tinha mostrado que a modulação de bactérias intestinais durante um teste em camundongos com desmielinização induzida por específicas células imunes, demonstraram redução da gravidade da doença. No ECTRIMS, relataram que o tratamento de ratinhos com a molécula relacionada com o intestino chamada polissacárido A (PSA) expandiu as células B; estas células promoveram uma resposta imune que impediu os ratos de desenvolver esse “tipo de EM”. O PSA é liberado por espécies específicas de bactérias intestinais (Bacteroides) que "colonizam" as tripas de quase 95% das pessoas em todo o mundo. Parcialmente financiado pela Sociedade Nacional de Esclerose Múltipla, este trabalho emocionante nos traz um passo mais perto de futuros estudos clínicos para explorar como o PSA pode ajudar a parar o ataque imunológico em pessoas com EM. (Resumo 181 – ECTRIMS 2016) Os membros desta equipe também relataram que o PSA foi eficaz em camundongos com doença progressiva tipo EM (Resumo P465 – ECTRIMS 2016).

Os médicos e pesquisadores Egle Cekanaviciute, Sergio Baranzini e outros colaboradores do MS Microbiome Consortium estão analisando rigorosamente as bactérias intestinais para descobrir pistas sobre a suscetibilidade e progressão da EM. No ECTRIMS, relataram uma análise de bactérias em amostras de fezes de 64 pessoas com EM que receberam tratamento para EM e 68 pessoas sem EM. Certas bactérias foram aumentadas em pessoas com EM, e essas bactérias aumentaram as células Th1 – os principais atores no ataque imune da EM. Enquanto isso, outro tipo de bactérias – que foi reduzido em pessoas com EM – induziu células que poderiam recusar o ataque imunológico. Se pudermos identificar certas bactérias que podem impulsionar a atividade do sistema imunológico na EM e outras que podem suprimi-la, esta pesquisa pode abrir a porta a novas abordagens terapêuticas baseadas na manipulação dessas bactérias intestinais.

A jovem pesquisadora Dra. Gloria Dalla Costa e colegas do Hospital San Raffaele, em Milão, mostraram que as células Th17, importantes responsáveis ​​pelo ataque imune na EM, aumentam no revestimento intestinal de pessoas com EM em comparação com pessoas que não têm a doença. Seu próximo objetivo é determinar como manipular bactérias intestinais ou dieta pode afetar a geração destas células Th17 intestinal, e o desenvolvimento da EM (Resumo 73 – ECTRIMS 2016).

A interação entre o intestino e o ataque imunológico na EM pode começar bem cedo, diz a Dra. Helen Tremlett (Universidade Britânica de Columbia) e colaboradores da Rede dos Centros Pediátricos de EM dos EUA. Eles examinaram bactérias intestinais e marcadores imunológicos em 15 crianças com EM e nove crianças sem EM. Em crianças com EM, eles encontraram ligações entre tipos de bactérias intestinais e marcadores imunológicos específicos. Por exemplo, aumentos em Bacteroides significaram diminuições em células Th17, que são pensadas para ajudar a manejar ataques (Resumo P287 – ECTRIMS 2016). Estudar a EM nesta fase inicial é importante para identificar as primeiras etapas do envolvimento do microbioma intestinal na EM.

O microbioma é uma área de pesquisa relativamente nova para a comunidade de EM – mas estou animada por ver o tanto que este campo evoluiu em um curto espaço de tempo. Estou ansiosa para que este progresso impulsione tratamentos e soluções que irão parar a doença.

Texto original disponível em MS Connection (https://www.msconnection.org/Blog/September-2016/From-ECTRIMS-New-Results-on-Gut-Bacteria-and-MS)

Traduzido por Redação AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose

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