A velhinha esclerosada e a universidade.

Oi gente, tudo beleza? Faz um tempo que não escrevo aqui, saudades de vocês! 

Eu contei aqui esses tempos que fiz o ENEM, lembram? Se não lembra, dá uma lida aqui: Fazendo o ENEM 

Pois bem. Naquela ocasião, minhas notas nem foram assim tão ruins. Ano passado, resolvi fazer de novo. Novamente, apesar das dificuldades, minhas notas foram razoáveis. Resolvi então ver até onde dava pra ir e me inscrevi no SISU. Me classifiquei em 9º lugar para o curso de Administração na UERGS – Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. 

Após uns dias de hesitação, fui adiante e me matriculei no curso.  E é isso, entrei na universidade! 

Emoções.

No dia em que fiz minha matrícula, saí de lá e caminhei até o shopping que fica no outro quarteirão, me tranquei no banheiro e chorei feito criança. É a realização de um sonho antigo, muitas vezes adiado e que cheguei a dar como perdido. 

Na semana passada começaram as aulas. Não foi surpresa constatar que embora hajam vários colegas que “não cozinham na primeira fervura”, sou a mais velha da turma. Mais velha inclusive que os professores. Mas isso não me constrange nem um pouco, ao contrário, me enche de orgulho. 

Estou com meus sentimentos em conflito: se por um lado estou imensamente feliz, por outro estou apavorada, em pânico. Não tenho ideia do que isso vai fazer com a minha rotina nem com a minha saúde, além de ter sérias dúvidas sobre se conseguirei dar conta, se conseguirei acompanhar o ritmo e se meu cérebro esclerosado será capaz de absorver novos aprendizados. 

Só sei que não posso desistir sem tentar. 

Vivenciando.

Hoje foi realizado o trote, aquele momento “pagação de mico” que os calouros passam ao entrar na universidade. Eu curti muito. Cansei uma barbaridade e provavelmente amanhã nem conseguirei andar, mas não quis ficar de fora e não me arrependo de ter participado. 

Não posso deixar de fazer alguns agradecimentos: à minha família, claro, em primeiríssimo lugar porque topou essa maluquice e estão me dando a maior força, mas também à Bruna, que sempre acreditou em mim e plantou essa “coceirinha” de faculdade e estudos na minha cabeça e ao Gustavo que me apoiou e ajudou quando eu mesma nem acreditava. É por isso que a AME é grande, porque aqui todo mundo se apoia e incentiva e juntos somos mais fortes! 

Pra encerrar quero dizer que nada é maior que os nossos sonhos. Que nem a minha idade (48 anos), nem o tempo que passei longe de uma sala de aula (28 anos), nem o monte de filhos que eu tenho e nem a Esclerose Múltipla são impeditivos. Tudo isso pode dificultar muito a conclusão do objetivo, mas não pode me impedir! 

 


 

Leia também: A VELINHA ESCLEROSADA E A UNIVERSIDADE. II