Alteração na gengiva e cáries podem ser consequências da relação entre saúde bucal e Esclerose Múltipla

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Uso de imunossupressor também pode influenciar na saúde bucal de quem convive com Esclerose Múltipla; saiba mais

Muitas pessoas não sabem, mas alguma alteração bucal pode estar relacionada à esclerose múltipla. A jornalista Giulia Gamba notou o primeiro sinal na gengiva. “Como eu uso aparelho, comecei a ter algumas alterações na gengiva e aí a minha dentista falou que isso poderia estar atrelado com a questão de eu usar imunossupressor para o tratamento da EM”, conta. Ela também conversou com o médico que a acompanha sobre o assunto.

A neurologista Raquel Vassão explica que existem algumas razões para isso: “A esclerose múltipla em si pode até afetar, por exemplo, a capacidade de fazer uma higiene bucal adequada, dependendo da destreza da mão da pessoa, que pode estar afetada. O paciente pode ter alguma dificuldade com movimento repetitivo e é muito importante manter a higiene bucal diária”.

Giulia começou a intensificar os cuidados do cotidiano. “O que eu sempre uso e que é bem importante pra mim é a escovação diária, pelo menos duas ou três vezes, sempre pra fazer essa limpeza. E uso fio dental, que é uma coisa muito importante para mim e que me ajuda muito com a questão da gengiva. O neurologista me explicou que a gente tem que ter uma atenção um pouquinho maior pra não ter esse risco de inflamar e tal. Então, além de fazer a higiene e tudo o mais eu sempre uso fio dental e faço consultas regulares no dentista”, acrescenta.

Raquel Vassão esclarece que a maioria das medicações para a EM influencia o funcionamento do sistema imune. “E a boca é uma das nossas grandes portas de entrada para vírus, bactérias, parasitas… porque a gente tem contado com alimentação, ar, beijo, saliva. O fato de o sistema imune estar funcionando um pouco diferente pode mudar não só a capacidade de proteção na boca e na gengiva como mudar a característica do tipo de bactéria que habita normalmente a boca. E isso pode ter uma influência na saúde dos dentes, promover mais cáries”, ressalta.

Na avaliação da neurologista, o consumo de alguns remédios para esclerose múltipla também podem tornar a boca mais sensível. “Para aqueles pacientes que usam medicamento de muita imunossupressão, por exemplo, o alemtuzumab, é importante que a saúde bucal seja vista adequadamente, pois pode ser foco de infecção e ninguém descobre. Não é incomum em hospitais a gente ter uma equipe de odonto para avaliar a saúde bucal de pacientes imunossuprimidos. Isso porque também aqui a medicina e a odonto são muito separadas. Em outros países, a formação inicial é muito similar e aí fica mais fácil”, pondera.

Dor ao mastigar, sensibilidade nos dentes, dificuldade de passar fio entre um dente e outro são sinais que merecem atenção. Se você apresenta algum destes sintomas, busque um dentista e mantenha visitas regulares. “Existem sintomas de dor que às vezes podem, na esclerose múltipla, mimetizar uma dor de dente. São as dores do nervo trigêmeo, por causa de lesões lá no Sistema Nervoso Central. O nervo trigêmeo sente toda a face e também a parte interna da boca. E, às vezes, uma dor muito intensa pode ser confundida com uma dor de dente e, na verdade, ser uma lesão de esclerose múltipla ativa gerando dor nessa região”, enfatiza Raquel Vassão.

Como muita gente não tem conhecimento da relação entre saúde bucal e EM, o ideal é que tanto médico neurologista quanto dentista estejam em constante diálogo e que o paciente relate todos os desconfortos e que faça a higiene bucal diariamente.

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