Fadiga

Sabe aquela pessoa ligada no 220 volts? Sou eu! Até que a fadiga me dê um “sossega leão”…

Pois bem, cá estou, super animada, cheia de planos (sempre), com agenda cheia diariamente, na estrada entre Rio e Saquarema e me preparando para fazer o Caminho Francês de Santiago, em abril de 2017. Desde que descobri a EM eu aprendi a ter e a respeitar uma rotina, que embora eu sempre a tenha desdenhado, hoje não abro mão de ter uma vida articulada e planejada. A rotina me ajuda a olhar carinhosamente para o meu tempo, que ficou mais lento, depois da EM. Não apenas o meu tempo, mas o meu cognitivo, também. Aprender a lidar com essas duas situações, bem como com as dores que eu sinto na sola dos pés quando me deito – uma queimação, misturada com sensação de inchaço –  e visão embaçada/turva, não é fácil para mim.

A escolha por viver em Saquarema, cidade pequena, mais tranquila e com uma vida mais suave, me oportunizou fazer coisas que antes eu não fazia porque morava distante delas. A Yôga, por exemplo, pelo método que sigo aqui em Saquarema, só se fosse em Copacabana ou Ipanema, o que significa que de trânsito eu teria que encarar, por volta de 3h., diarimente (ida e volta), para praticar 1h e meia, enquanto que aqui eu vou de bicicleta e em menos de 10min estou em um studio super gostoso, que eu chamo de casinha da árvore. Ganhei tempo, prazer em praticar atividades físicas e meu humor mudou, drasticamente, para melhor. Porém, não posso ignorar que mesmo com essa vida bacana que eu consegui implantar, seguindo uma rotina e fazendo uso do Mantidan diariamente, a fadiga me encontra, vez por outra; e quando ela chega, vem me mostrando qual é o meu limite, naquele momento. Daí não tenho alternativa: repouso na cama é a única saída – da mesma forma que ela vem, ela vai, ou seja, de repente! É comum que um dia anterior ao da fadiga eu tenha estado muito bem disposta, cumprindo com tudo que está previsto para aquele dia e no dia seguinte eu esteja de cama. Respeitar diarimente os sintomas do meu corpo é um sinal de saúde para mim, e se ele pede cama é pra lá que eu vou, amarradona. Hoje, se eu não lembro de algo que antes era óbvio, é sinal de que meu aprendizado daquela situação apagou-se e se ele não existe mais, é porque não me é mais necessário! Desisti de brigar comigo mesma por isso… Um bom exemplo é o Inglês. Formei-me ainda jovem e o praticava pouquíssimo, apenas como referência para os textos de mestrado e doutorado. Quando minha filha foi morar nos Estados Unidos, achei que seria tranquilo… que nada… E qual é o problema? Entrei novamente em um curso, mais rápido, apenas para reativar a lingua e qual não foi a minha surpresa: ela já havia morrido dentro de mim… Mas deu para eu me virar bem e isso é o que importa…

Tenho planos para médio e longo prazo e para cada um deles uma planilha diferente, com tudo o que eu preciso. Ser esclerosada me gerou mais organização. Sou dessas esclerosadas que precisa de estrada, de ponte aérea, de caminhos e percursos diferentes…

É bacana lembrar que todos nós temos questões na vida e cada questão é absolutamente singular. E singular não é sinônimo de individual… Não sou um ser individual, que vive separado do todo. Não acredito nisso! Sou parte do todo, com as minhas peculiaridades, o que me torna diferente das demais partes, que estão entre partes.  E gosto de pensar assim! Me fortalece!

Então, quando eu disser que estou curtindo uma caminha porque a fadiga me pegou de jeito, não precisa se lamentar por mim, porque certamente, tão logo seja possível, estarei praticando atividades que muita gente “normal” não consegue praticar! Ninguém é melhor ou pior que ninguém, somos apenas diferentes! Respeitar as diferenças faz de cada um de nós seres mais harmônicos e felizes…É assim que me sinto hoje: feliz, livre e cheia de planos…

 

 

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