Por Suzana Pereira Gonçalves
Tenho hoje 67 anos e já são 16 anos de diagnóstico. Quero compartilhar um pouco da minha caminhada com a Esclerose Múltipla.
O início da jornada (2010)
Os sintomas se manifestaram durante uma viagem em família, em 2010: fadiga extrema, visão turva e dormência nas extremidades. No começo, eu não sabia o que estava acontecendo comigo.
O primeiro surto grave
Em 06/07/2010, acordei sem enxergar do olho esquerdo. Foi assustador. Na época, um profissional de saúde diagnosticou o quadro apenas como “estresse” — mas não era só isso.
A confirmação do diagnóstico
O processo completo, desde o primeiro surto até a definição do tratamento, levou quase seis meses. Foram muitos exames, entre eles Ressonância Magnética e coleta de líquor, até finalmente chegarmos a uma resposta.
Sequelas e desafios físicos
Enfrentei a perda da visão em um olho e o comprometimento do lado esquerdo do corpo. Lidei também com espasmos, perda de força muscular e dores intensas. Não foi uma fase fácil.
Tratamento e pulsoterapia
O tratamento incluiu internações para pulsoterapia com altas doses de corticoides (1g de prednisona na veia). Os efeitos colaterais foram bem desafiadores: insônia, irritabilidade, agitação e retenção de líquidos.
Ao longo dos anos, já fiz uso de três medicamentos de manutenção diferentes, sempre buscando evitar novos surtos e novas sequelas.
A importância da rede de apoio
Não teria chegado até aqui sem uma rede de apoio sólida. Destaco o papel fundamental da minha família — especialmente do meu marido, Augusto —, dos amigos, da equipe multidisciplinar do Centro de Referência em Esclerose Múltipla da Paraíba e da APBEM (Associação Paraibana de Esclerose Múltipla).
Mudança de estilo de vida
Por questões de saúde, adotei uma alimentação mais consciente e comecei a praticar exercícios físicos, buscando consciência corporal e redução das dores musculares. Foram mudanças que fizeram toda a diferença.
Filosofia de vida
Fundamento minha caminhada na ciência e na fé. Me defino como uma vencedora, que aprendeu a ressignificar a vida através do aprendizado e da gratidão.
Família
Sou casada com Augusto, mãe de Carlos Eduardo, Marina e Germana, e avó de Sofia, Tarsila e Rafael. Eles são minha base.
Um cheiro, um abraço, e não tenham medo da caminhada — ela é cheia de curvas e surpresas, mas é a vida que temos, com adaptações. Ela é sua. Cuidar dela com compaixão faz toda a diferença.

