Conteúdo: equipe AME
Em resumo: a esclerose múltipla é classificada pela forma como os sintomas aparecem ao longo do tempo. A forma remitente-recorrente (EMRR), com surtos e melhoras, atinge cerca de 85% das pessoas no início. As formas progressivas são a secundária (EMSP), que pode surgir anos depois da EMRR, e a primária (EMPP), com piora gradual desde o início.
Ao receber o diagnóstico, muitas pessoas ouvem siglas como EMRR ou EMPP e ficam sem entender o que elas significam. Se isso aconteceu com você ou com alguém próximo, este texto é para ajudar. Explicamos aqui, com calma, cada forma da esclerose múltipla (EM).
Vamos começar pelo principal: os especialistas descrevem 4 formas principais de EM. O que diferencia uma da outra é o jeito como os sintomas aparecem e mudam ao longo do tempo:
- Síndrome Clínica Isolada (CIS): um primeiro episódio de sintomas, que pode ou não ser o começo da EM.
- EM remitente-recorrente (EMRR): surtos seguidos de períodos de melhora.
- EM secundária progressiva (EMSP): pode surgir anos depois da EMRR, com piora gradual.
- EM primária progressiva (EMPP): piora gradual desde o início, sem surtos.
É importante lembrar que a EM é diferente para cada pessoa, mesmo entre quem tem o mesmo tipo. Algumas pessoas se sentem bem por muitos anos depois do diagnóstico. Outras sentem mais efeitos mais cedo. A maioria fica em algum ponto entre esses dois extremos.
O que é a Síndrome Clínica Isolada (CIS)?
É o nome dado ao primeiro episódio de sintomas neurológicos que dura pelo menos 24 horas. A pessoa pode sentir um sintoma ou vários ao mesmo tempo, como alteração na visão ou formigamento. Esses sintomas acontecem por causa de uma inflamação no sistema nervoso, como na EM.
Nem toda pessoa com CIS vai desenvolver EM. Quando a ressonância mostra lesões parecidas com as da EM, a chance é maior. Com os critérios de diagnóstico revisados em 2024, muitas pessoas com um primeiro episódio e exames típicos já recebem o diagnóstico de EM, sem passar pela fase de CIS. Por isso, o acompanhamento com o neurologista é tão importante nessa fase. Como é feito o diagnóstico da esclerose múltipla?
O que é a esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR)?
É a forma mais comum. Cerca de 85% das pessoas com EM recebem esse diagnóstico no início.
Na EMRR, a pessoa tem surtos, que são momentos em que surgem sintomas novos ou em que sintomas antigos pioram. Depois do surto, vem um período de melhora, chamado remissão. Nessa fase, os sintomas podem sumir por completo ou em parte.
Os surtos podem durar de alguns dias a algumas semanas ou meses. Entre um surto e outro, a EM pode ficar sem atividade por meses ou até anos. É a forma com mais opções de tratamento, inclusive no SUS.
O que é a esclerose múltipla secundária progressiva (EMSP)?
É uma forma que pode surgir depois da EMRR, anos ou até décadas após o diagnóstico. Nela, os sintomas passam a piorar aos poucos ao longo do tempo, com ou sem surtos.
Nem sempre é fácil perceber essa mudança logo que ela começa. O acompanhamento regular ajuda a equipe de saúde a identificar essa transição. Os tratamentos atuais, iniciados cedo, parecem reduzir a chance de chegar a essa fase.
O que é a esclerose múltipla primária progressiva (EMPP)?
Entre 10% e 15% das pessoas com EM têm essa forma. Na EMPP, os sintomas pioram aos poucos desde o início, de forma contínua. Não há surtos seguidos de recuperação, como na EMRR. Ela costuma ser diagnosticada um pouco mais tarde, por volta dos 40 anos, e afeta homens e mulheres em proporção parecida.
Hoje, o PCDT do SUS não inclui medicamento modificador da doença para a EMPP. A reabilitação e o cuidado dos sintomas continuam sendo parte essencial do tratamento. Tratamento
O que significa esclerose múltipla "ativa" ou "em progressão"?
Além do tipo, o neurologista pode usar outras palavras para descrever o momento da EM de cada pessoa:
- Ativa: quando há surtos ou quando a ressonância mostra lesões novas.
- Não ativa: quando não há sinais de atividade nesse período.
- Em progressão: quando há uma piora que se mantém ao longo do tempo, com ou sem surtos.
Essas descrições valem para qualquer tipo de EM. Elas ajudam a equipe de saúde a acompanhar a doença e a conversar com a pessoa sobre as opções de cuidado.
O que é progressão independente de surtos (PIRA)?
Pesquisas recentes mostram que, mesmo na forma remitente-recorrente, a incapacidade pode aumentar aos poucos sem que haja surtos. Os neurologistas chamam isso de PIRA, sigla em inglês para "progressão independente da atividade de surtos". Por isso, muitos especialistas hoje veem a EM como um processo contínuo, e não como tipos totalmente separados. Na prática, isso reforça a importância de consultas regulares, mesmo quando não há surtos.
O tipo de esclerose múltipla pode mudar?
Sim. Uma pessoa com CIS pode ou não chegar a ter EM. E uma pessoa com EMRR pode, com o passar dos anos, ter a forma secundária progressiva. Por isso, o tipo de EM não é um rótulo definitivo. Ele descreve como a doença está naquele momento.
Por que é importante saber o tipo de esclerose múltipla?
Saber o tipo ajuda a pessoa e a equipe de saúde a entender o que esperar e a planejar os cuidados juntas. O tipo também define quais medicamentos podem ser usados, no SUS e no plano de saúde. Se você não sabe qual é o seu tipo, pode perguntar na próxima consulta. É um direito seu entender o próprio diagnóstico.
Para familiares e pessoas próximas
Entender o tipo de EM ajuda a acompanhar melhor a pessoa. Mas lembre-se: mesmo pessoas com o mesmo tipo vivem a EM de formas diferentes. Pergunte à pessoa como ela está e do que precisa, em vez de tirar conclusões pelo tipo.
Para quem já convive com a esclerose múltipla
Se você convive com a EM há mais tempo, talvez já tenha passado por mudanças no seu diagnóstico. Compartilhar essa experiência nos grupos da AME pode ajudar quem está começando a entender esse caminho.
Fontes: MSIF — Tipos de EM · ECTRIMS — Revisões dos critérios de McDonald (2025) · Ministério da Saúde — PCDT de Esclerose Múltipla (2024) · Lublin FD et al. Defining the clinical course of multiple sclerosis: the 2013 revisions. Neurology, 2014
Veja também: O que é a esclerose múltipla?