Desbravando com Esclerose

02 . Nov . 2017   /  Acessibilidade

Foi no final de 2013, início de 2014, que tive o diagnóstico de Esclerose Múltipla e que iria virar meu mundo de cabeça para baixo de uma hora para outra.

Tudo que eu sempre quis: viagens, sucesso profissional, estabilidade financeira e um casamento feliz, de uma hora para outra, ficaram em segundo plano.

Levei algum tempo lamentando as perdas que vieram junto com a doença e nem percebi que havia deixado a vida de lado. E de todas as coisas que deixaram de fazer parte da minha vida, só uma realmente me fazia muita falta: viajar.

Minha última viagem era um sonho de infância, que eu alimentei por anos: Astoria, no Estado americano do Oregon, cidade que foi cenário para o filme que me marcou na época, Os Goonies. Planejei nos meus sonhos por anos e, muitos anos depois, quando finalmente pude realizar, tinha acabado de receber o diagnóstico. Não foi exatamente o que eu esperava por causa das limitações que vieram com a doença.

Decidi agora então, voltar a viajar. Mas surgiram dois problemas: não tenho mais o dinheiro que, se antes não era abundante, era suficiente, para fazer uma viagem bacana por ano. E não tenho a mesma mobilidade.

Falta de dinheiro nunca foi um empecilho para viajar. Em 2009 vi as fotos de um conhecido que havia viajado para um lugar paradisíaco, Los Roques-Venezuela, e decidi que mesmo endividado, ia dar um jeito de conhecer aquele lugar. Entrei em contato com várias pousadas, ofereci meu trabalho de Designer Gráfico para umas 5 e, menos de duas horas depois uma das pousadas já tinha aceitado a permuta e me oferecido 8 dias de hospedagem com translado e todas as refeições incluídas, para duas pessoas.

Agora tem o diferencial da Esclerose Múltipla, que limita algumas coisas, mas não me impede de viajar. Claro que ficou mais difícil, para não dizer impossível, conhecer lugares como Machu Pichu, por exemplo. Mas algumas metrópoles são ótimas opções para não ficar isolado, ter boa mobilidade e também estar acessível a lugares históricos que sempre me fascinaram.

Resolvi então criar um projeto pessoal: Desbravando. O nome vem do tratamento pelo qual optei, altas doses de vitamina D, e a idéia central do projeto, viajar e enfrentar obstáculos que seriam complicados, para não dizer impossíveis, sem uma boa dose de planejamento e dedicação.

Vale lembrar que o que acendeu a faísca para eu sair de vez do comodismo, foi o filme 100 metros, que conta a história verídica de um publicitário, como eu, que mesmo diagnosticado com Esclerose Múltipla também, decidiu treinar para competir em um triathlon. E chegou até o fim.

O primeiro destino escolhido nesse meu projeto, foi a Cidade do México. Juntou a simpatia que eu tenho pelo povo mexicano, o fascínio que me desperta sua história, seu gigantismo e outras coisitas mais que me encantam desde criança; sua comida apimentada e, como no caso dos Goonies em Astoria, ser berço de personagens que marcaram minha infância: Chaves e Chapolin Colorado.

E o primeiro desafio vai ser subir até o topo da Pirâmide do Sol, na cidade de Teotihuacan, cerca de 40 km de distância da Cidade do México. Escolhi esse desafio por vários motivos: sempre fui louco pela história mexicana, minha dificuldade atual em subir mais que 10 degraus de escadas e o fato de ser a pirâmide do sol, que tem tudo a ver com o tratamento que escolhi para enfrentar minha doença. E para chegar até as pirâmides vou ter que enfrentar uma caminhada de 4 quilômetros, que também é parte do desafio já que não caminhava isso nem em 1 mês todo, somado a rotina de levantar para trabalhar e também o quanto eu me deslocava dentro da empresa.

O melhor de tudo é que, ter um projeto, me trouxe muitas coisas positivas. Hoje acordo já pensando em como vai ser meu dia de treino, o que tenho que pesquisar, a melhor data para ir, como conseguir o maior desconto possível na passagem aérea e estadia, etc. Percebi que até as músicas que eu ouço ficaram mais alegres.

Para conseguir realizar esse projeto, comecei a economizar desde o início desse ano toda e qualquer moeda, trocado e free-lance de design que aparecer. Não sei se até o ano que vem vou ter todo o dinheiro necessário. Mas isso também faz parte do desafio. Comecei a treinar em academia e daqui a pouco vou para as ruas também, enfrentar longas caminhadas como parte do treinamento. O primeiro grande desafio nessa caminhada vai ser emagrecer mais de 20 quilos. Mas isso é o de menos.

Essa doença não vai tirar a minha vontade de viver. Como diz o slogam do filme que inspirou esse projeto: Render-se não é uma opção.

 

Acompanhe esse desafio pelo facebook: www.facebook.com/vitaminaddesbravando 

Fonte: Anderson
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