Viajando para Consultar

26 . Abr . 2017   /  Acessibilidade

Olá pessoal, tudo bem?

Eu amo viajar e se pudesse, passaria só fazendo isso da vida. Mas viajar por lazer é uma coisa, por obrigação e/ou necessidade é outra bem diferente.

No meu caso, viajo muito, mas infelizmente por necessidade. Moro numa cidade do interior do Rio Grande do Sul e como a maioria das cidades de interior, não oferece os recursos médicos necessários ao meu tratamento, então preciso buscar esses recursos na capital.

Faz 12 anos, desde o meu pré-diagnóstico, que faço essas viagens, sempre utilizando o transporte da prefeitura.  Já passei muito perrengue, enfrentei duas gestações, congelei de frio, quase morri de calor, passei fome, dormi em banco de praça, perdi consulta depois de uma viagem de muitas horas por chegar atrasada, esperei  horas pelo transporte de volta. Aos poucos a gente vai aprendendo alguns “truques” para se defender.

A primeira dica é: agende sua viagem com tanta antecedência quanto for possível. Se deixar para a última hora, periga não conseguir viajar. Tenha em mãos o comprovante da consulta ou exame marcado, documento de identidade e cartão do SUS. Confira e confirme na véspera os dados da viagem: hora e local de embarque, o horário da sua consulta (aqui vale outra dica: sempre peça uma margem. Por exemplo, se o seu horário é às 8hs, diga que precisa se apresentar meia hora antes. Isso nem é uma mentira, já que a maioria dos hospitais realmente pede que você se apresente antes do horário e se você reforça isso para quem agenda sua viagem, o risco de colocarem a sua saída para um horário muito apertado é menor) se o seu telefone está correto (e se o aparelho está com você), se você tem o telefone do motorista e do setor responsável  da prefeitura para eventualidades. No momento do desembarque, certifique-se do local e horário combinado para o retorno e dos telefones (nunca é demais!).

Leve o mínimo de carga possível pois você terá que andar com isso o dia todo. Quanto menos peso melhor. Se é a primeira vez que vai usar o transporte da prefeitura para consultar noutra cidade, procure se informar bem sobre o funcionamento. Quando for agendar, já pergunte para o funcionário que atender como costuma ser feito. Aqui saímos de madrugada e em geral voltamos do fim da tarde em diante, então é bem difícil acertar o “com que roupa”. Mas o bom senso sempre ajuda. Se você costuma sentir frio, leve casaco. É mais fácil de tirar se esquentar e você não fica enchendo a paciência dos outros pedindo pra fechar janelas ou desligar o ar condicionado. Frio a gente resolve com um casaco, mas o calor, só abrindo as janelas. Não é porque você sente frio que todo mundo tem que sentir. Se for época em que pode vir a esquentar muito, viaje com roupa leve por baixo. Dependendo do lugar aonde você vai, talvez não dê para trocar de roupa, por isso você deve conseguir tirar o que tem por cima sem muita dificuldade. E lembre que vai ter que carregar o casaco e a roupa que tirar, então não exagere nos volumes.

Se tiver uma mantinha leve, é bom carregar. A manta e o travesseiro podem ficar no veículo, se for o mesmo com que você vai utilizar para voltar. Se não for ou se não tiver como deixar no veículo, não leve pra não ter que ficar carregando.

Quanto a levar um lanche, vai depender muito da situação. Levar comida de casa sai muito mais barato, porém é mais um peso para carregar. Se puder levar em embalagens descartáveis, que não precise ficar lavando e nem carregando de volta, melhor. Lembre-se que a praticidade nessas horas é tudo, evite levar talheres, pratos e copos. Procure saber se tem algum conhecido morando nas proximidades, alguém com quem você tenha a liberdade de filar um almoço ou um café. E se você faz poucas vezes essas viagens, lembre que um dia que você como mal e fuja da sua dieta tradicional não vai te matar, supere! (Exceto em casos que realmente ponha sua vida em risco como diabetes, doença celíaca ou outras).

Mantenha seu celular carregado, ligado e junto a você. Qualquer mudança de planos ou imprevisto que aconteça, tanto com você quanto com o motorista, vocês precisam ter como se comunicar. Como já dizia o velho Chacrinha: “quem não se comunica, se trumbica”, ou seja: COMUNIQUE-SE!

Se o seu celular é como o meu, que já virou quase um telefone fixo de tanto que precisa ficar ligado à tomada, leve junto um carregador. É mais uma coisa pra levar, mas é extremamente necessário. Ficar sem comunicação numa viagem dessas é certeza de encrenca.

Essas viagens costumam ser extremamente cansativas, por causa do horário e do desconforto e no eu caso específico, por causa da ansiedade. Se eu tiver alguém com quem conversar, fico bem, do contrário o sono bate. E nessa hora que é preciso muito cuidado. Se você sente que pode cochilar enquanto espera, previna-se. Procure sentar num local em que você esteja perto o suficiente do que está esperando (a chamada do seu nome ou o transporte para voltar), mantenha bolsa, carteira e celular bem junto ao corpo, proteja o máximo possível se estiver só para que não sejam tirados de você enquanto dorme. Hospitais são locais de grande circulação e nem todo mundo é confiável. Na dúvida, não confie em ninguém. Se for viajar com um bebê (já viajei com 3!), leve um acompanhante. Na impossibilidade de levar um acompanhante, use um sling. Jamais entregue seu bebê para quem quer que seja nem mesmo para usar o banheiro. Com o sling você fica com as mãos livres e o bebê sempre junto ao seu corpo. Se é preciso ter cuidado com a carteira, imagina com o tesouro que são os filhos?

Certamente há outras dicas preciosas, mas essas são as que julgo serem mais importantes. Espero que ajude.

Fonte: Viajante Esclerosada - Tuka
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