Meu Tempo

10 . jan . 2017   /  Emoções

É bem complicado ser compreendido. Pra vocês terem ideia comecei a receber o benefício do INSS pra me tratar e ficar melhor pra, enfim, trabalhar na minha área. Por aqui estão agindo como se eu recebesse o benefício pra não trabalhar e adivinhem quem sai prejudicado por não conseguir relaxar? Adivinhem quem só piora se expondo a tanto estresse?

No último ano meu corpo mudou muito e minha energia foi de 100% pra 5%. Estou me sentindo como meu iPhone, que descarrega rápido e precisa ficar conectado ao carregador quase o tempo inteiro. Sinto como se o meu corpo finalmente tivesse descontrolado todos os seus relógios, coisa que eu já previra que ia acontecer.

Em 2015, a Tuka me disse que a fadiga chegava para todos. Como ela é mais experiente, tratei de preparar meu terreno e expliquei à amiga Bete Tezine que eu queria que, POR FAVOR, ela fizesse uma imagem pra mim: um neurônio feito de relógios. E ela fez essa imagem lindíssima que coloquei nessa postagem. Explica bem o que sinto que acontece dentro de mim. Meu corpo todo fica tiquetaqueando desregulado sem parar.

A imagem usaria para um evento de sensibilização sobre a EM aqui em Manaus e o fiz. O resultado foi maravilhoso, amigos que eu achava que nem entenderiam, entenderam TU-DO. Uma pena que alguns membros da minha família ainda não compreendem. Nessa história toda, percebo que estávamos todos na caverna da ignorância em relação à EM, era uma caverna com rochas grossas feitas de preconceitos e ignorância. Alguns saíram da caverna, outros não. E como na estória de Platão, conseguem adivinhar quem apanha sempre que tenta esclarecer e sensibilizar os que estão na caverna?

Chego a uma reflexão que sensibilizar cansa mais do que meramente viver e, mesmo o cansaço parecendo não melhorar, a escoliose parecendo não melhorar, minha marcha parecendo não melhorar (inclusive algumas pessoas próximas observaram que tenho arrastado mais os pés), eu sinto muita vontade de fazer coisas, ainda que não tenha força pra executá-las. Só a vontade de, ainda, continuar lutando já é um raio de luz no meio da escuridão.

Sinceramente, não tenho mais esperanças de ver as mudanças, mas eu tenho esperança de que minha filha veja.

Tags: , Esclerose Múltipla , família , pai esclerosado , preconceito , trabalho

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