O que eu aprendi com meu namorado esclerosado

08 . Mai . 2016   /  Vida social - família e amigos

Normalmente a esclerose múltipla entra na vida das pessoas no momento do diagnóstico. Comigo foi diferente. A EM passou pela porta do meu apartamento de mala e tudo, e nunca mais saiu. Confuso? Vou explicar melhor...

Eu morava na Espanha, em 2012, e dividia apartamento com duas amigas, quando o irmão de uma delas chegou para nos visitar. Nesse ponto da história eu poderia enfeitar um pouco e dizer que foi amor a primeira vista, mas acredito que as melhores histórias de amor começam quando a gente menos espera. E com a gente foi assim… Não houveram sinos tocando, muito menos cavalo branco e carruagens, também não sou o tipo de pessoa que se liga nessas coisas. Adaptamos o clichê dos contos de fada para algumas noites em claro, violão, lugares incríveis e conversa, muuuita conversa.

Eu, jornalista que sou, falava de histórias e livros. Ele, sonhador nato, falava em mudar o mundo. “Tenho uma Associação pra ajudar pacientes de esclerose. Ah! Eu tenho esclerose” – me contou certa noite.

Foi aí que assuntos como neurônios e mielina saíram do universo esquecido das aulas de biologia e se tornaram parte do meu dia a dia. “Imagina...” – ele dizia. Hoje, o sonho dele fez com que estivéssemos aqui, nessa instituição linda que é a AME (Amigos Múltiplos pela Esclerose). O tempo passou, e um ano depois se encarregou de fazer a gente começar a imaginar além, a imaginar junto.

É claro que, como tudo na vida, já passamos por poucas e boas. E tem muita gente por aí que se preocupa, e até diz que: “A vida já é tão incerta pra eu ter feito uma escolha dessas”. Mas isso é assunto pra outro post. Agora me resumo a dizer que o que essa gente não sabe é que esse mesmo cara me encoraja sempre a confiar, a superar e a sonhar.

Então, apesar de todas as incertezas que a EM possa trazer, tenho certeza de que ele tá do meu lado pro que der e vier, e eu também tô do lado dele. Afinal, ele me faz feliz. E juntos a gente dribla a insegurança, despista o medo e engana qualquer probabilidade. Tudo isso em nome do prazer de dividir os instantes de alegria que a vida nos permite.

Eu não poderia começar essa grande conversa que teremos daqui pra frente de outro jeito, sem falar dele. Então, feitas as devidas apresentações, se você chegou até aqui no final desse post, obrigada pela companhia, seja bem-vind@ e até a próxima! <3 :)

Fonte: Ilustração: Monica Crema.
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