Reflexão sobre um termo (quase) utópico: ética

11 . Abr . 2016   /  Ativismo e direitos

Vejo pessoas pregando moral, respeito, ética, justiça, mas percebo que nem mesmo sabem os verdadeiros significados desses valores. Devem ver outra pessoa no espelho quando se dizem praticantes dos mesmos. Seja bom ou seja ruim, seja sempre você mesmo! Mais atitude e menos blá blá blá !

(Alan Lopes Luiz)

 

Estive refletindo sobre um termo que sai da boca de muitos, mas que nem todos sabem seu real significado e o aplicam em suas relações pessoais, sociais e humanas. Estou falando sobre ética. 

O dicionário Aurélio define o vocábulo como sendo "o estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana susceptível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente à determinada sociedade, seja de modo absoluto".

Não obstante essa definição, eu ouso ter meu próprio conceito o que seja ética. Para mim, ser ético significa, valendo-me de um dito popular, não fazer ao outro o que não gostaria que fizessem a você. 

Agora, colocar isso em prática é, na minha visão, o maior desafio do ser humano, sobremaneira dentro desta cultura competitiva que incute nas pessoas, desde a mais tenra idade, que só os fortes sobrevivem, que se tem de levar vantagem em tudo, que o mundo é dos mais espertos e por ai vai.

Muitos não hesitam em passar por cima dos outros na escalada rumo aos seus objetivos que, mesmo sendo nobres, às vezes se contaminam pela falta de amor ao próximo, pela ganância desmesurada, pela falta de compaixão.

O homem está cada dia mais degradado, mais corrompido, mais ganancioso e esquece valores que deviam ser o norte de todas as relações humanas, sejam profissionais, pessoais, religiosas, econômicas, sociais, políticas etc. 

Cobra-se muito os direitos, mas se esquece dos deveres. 

Prega-se muitas condutas, mas vivencia-se bem poucas.

Líderes religiosos que deveriam ser o exemplo do que propagam aos seus fiéis, são flagrados na contramão de tudo o que falam em cima dos altares, púlpitos ou o que quer que os elevem acima dos demais mortais, ao menos nas suas visões deturpadas do que seja um "homem de Deus", como eles se autodenominam.

Detentores de cargos públicos, que são pagos para dirigirem estados e nações, se corrompem pelo poder e ainda se vangloriam pela memória curta dos que os elegeram, na certeza de que o próximo mandato já está garantido.

Aqueles que recebem para efetivar a defesa dos cidadãos, muitas vezes se tornam seus algozes da forma mais fria e covarde possível.

Pais, que deveriam ser os maiores protetores dos filhos, os violentam, estupram, espancam, se escondendo atrás de uma pretensa forma de educar.

Os que deveriam falar se calam, os que deveriam se calar gritam.

Pacientes das mais diversas anomalias se sentem no direito de criticar o tratamento escolhido por outros pacientes, como se existissem apenas o certo e o errado, sem se levar em conta a liberdade que cada um possui para decidir o que é o melhor para si. 

Então, onde está a ética que circula pelos meios sociais como um termo bonito de usar, que soa bem aos ouvidos, que torna quem o profere um ser visto como inteligente e antenado com a evolução humana?

Eu não sei a resposta e sinto muito por não poder, ao menos, apontar levemente para ela. Na verdade nem sei mais se ética não passou a ser apenas mais uma utopia. Sinceramente, espero que não. Anseio que ainda haja salvação para a humanidade e que se possa, um dia, mesmo que numa geração muito futura, se vivenciar tudo o que se prega, principalmente, no que tange a se colocar no lugar do outro antes de ferir, julgar, condenar, usurpar, trapacear, enganar, maltratar, discriminar, violar, extorquir, negligenciar...

Beijos éticos no coração de todos!

Fonte: Bete Tezine/Blog AME

Tags: ética , compaixão , esclerose múltipla , respeito ao próximo

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