Tratamentos de EM nas últimas décadas

01 . Mar . 2016   /  Sintomas e tratamentos

Me considero uma pessoa privilegiada em vários aspectos, inclusive por ter sido convidada a participar deste grupo de blogueiros.

Que nova e maravilhosa experiência!

Para começar, gostaria de contar a impressionante trajetória da esclerose múltipla nos últimos anos.

Seguramente para os pacientes a impressão deve ser de que as coisas da esclerose múltipla evoluem muito lentamente e de modo pouco eficaz.

Ledo engano.

Começando pelo diagnóstico da doença: a primeira descrição oficial é de 1860 por Charcot.

A primeira tentativa de “organizar” a esclerose múltipla foi chegar em 1965 com os Critérios Diagnósticos de Schumacher. Cem anos entre um fato e outro.

Estes Critérios de Schumacher trouxeram mais uma revolução, pois sua construção ocorreu para possibilitar a realização de estudos clínicos em esclerose múltipla.

Novos Critérios Clínicos foram desenvolvidos por Poser em 1983. Apenas 18 anos após Schumacher...

Não foi pequena a revolução dos Critérios de Poser. Além de incluir ferramentas diagnósticas novas como a tomografia cerebral computadorizada e os potenciais evocados,  definia vários conceitos clínicos ainda hoje válidos.

Em 2001, McDonald e um grande grupo de especialistas revisam os critérios frente às novas realidades. São 18 anos de novo...

Agora reina a ressonância magnética e a definição de diagnóstico e critérios para início do tratamento são bastante modificados.

Vejam só  , em 2005 esses Critérios já são revisados! Cinco anos...  e  são novamente modificados em 2010.

Todo o ritmo da Esclerose Múltipla é outro!

Agora falando em tratamento.

Nos anos 1980, só havia corticoide. ACTH, dexametasona e prednisona. Altas doses continuadas, muitos efeitos colaterais, muitos problemas clínicos secundários aos tratamentos e baixa eficácia. Os pacientes pagavam um alto custo pessoal, para um ganho muito pequeno.

No início dos 1990, começamos a fazer pulsoterapia com metilprednisolona e já foi muito bom. Conseguíamos uma resposta neurológica melhor no manejo dos surtos. Pelo menos.

Em 1993, pela primeira vez, 133 anos após Charcot, surge a primeira droga específica para o tratamento da esclerose múltipla, o beta-interferon 1 b. É o início  do ciclo das drogas chamadas modificadoras da doença. Na sequência vem os beta-interferons 1 a e o acetato de glatiramer.

Pude assistir a profunda diferença que a introdução destas drogas trouxeram para o dia a dia dos pacientes e para a sua evolução a longo prazo.

Ok. Nada maravilhoso, não é a cura dirão aqueles que convivem com a doença.

Estas drogas modificadoras da doença são injetáveis, tem efeitos colaterais desagradáveis. Mas nem de longe as pessoas convivem com as dificuldades e riscos do uso de altas doses de corticoide oral por meses, anos e seus pesadíssimos efeitos adversos.

Por outro lado, o impacto na incapacitação, na vida real foi enorme e positivo.

Entramos os anos 2000 ambiciosos, todos queríamos mais agora que sabíamos melhor por onde caminhar.

Em 2005, uma nova forma de controlar a doença surge com o natalizumab. A porta que se abriu foi imensa. Muitas outras formas de abordar o tratamento chegam na sequência..

Cinco anos depois, passamos a ter o fingolimod com outra abordagem da rota imunológica.

Após o fingolimod, quase enfileirados fomos apresentados a teriflunomida, ao dimetil-fumarato e ao alentuzumab todos gestados durante os anos 2000 e prontos para ajudar um pouco mais.

Quanta riqueza!

Ok, ainda são drogas complicadas, nem todos tem indicação para usar, nem todos toleram, nem todos respondem bem, não é a cura....

Mas hoje temos mais drogas eficazes, podemos ter alternativas para individualizar cada mais vez os tratamentos e obter melhores respostas terapêuticas, evoluções mais tranquilas, menos surtos, menos incapacitação e, consequentemente, uma vida mais normal e produtiva.

Eu, depois de acompanhar esses cenários (não participei do período do Charcot e do Schumacher, só para esclarecer e não parecer a matusalém da Esclerose múltipla...), sou otimista.

Estamos muito a frente e com conhecimento fortemente embasado em estudos clínicos, só coisas positivas podem vir no futuro próximo.

Eu já estou esperando, n a maior expectativa.

Até o próximo post!

Fonte: Dra. Maria Cecília de Vecino

Tags: Esclerose Múltipla , História , Interferon , Medicamentos , Tratamentos

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